A Cidade Proibida

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Cidade Proibida: o centro político da China Imperial hoje transformado em ponto turístico
Cidade Proibida: o centro político da China Imperial hoje transformado em ponto turístico

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Por Rainer Gonçalves

Hoje conhecida como uma das principais atrações turísticas da China, a Cidade Proibida é considerada uma das mais interessantes obras arquitetônicas dessa antiga civilização. Sua construção foi elaborada durante o governo do imperador Yung Lo, o terceiro monarca da dinastia Ming. Além de compor o centro decisório do império chinês, a cidade assinalava a distinção entre a realeza e os súditos.

A sua construção demorou quatorze anos para ser concluída. A demora na construção faz jus à área de 720 mil metros quadrados ocupada por toda a família do imperador, um grande número de serviçais, concubinas, herdeiros e eunucos. O nome “Cidade Proibida” foi dado por conta do rígido sistema de segurança que controlava a saída e entrada de pessoas no local. A grande maioria dos funcionários que viviam na cidade poderia viver sem nunca colocar os pés para fora daquela suntuosa obra.

O portão meridional era uma das principais vias de acesso à Cidade Proibida. Somente alguns conselheiros reais, membros da classe militar e o próprio imperador tinham liberdade para entrar e sair por aqueles portões. Segurança era o que não faltava naquela enorme construção. Uma grande muralha com 3,4 quilômetros de extensão e dez metros de altura protegia toda a cidade. Além disso, um grande fosso com seis metros de profundidade evitava qualquer eventual invasão.

Nem tudo na cidade se resumia à segurança e imponência. O belo Jardim Imperial ocupava uma extensa área onde a família imperial poderia passar horas meditando, jogando xadrez ou bebendo um bom chá. Na porção central do jardim havia o Salão da Paz Imperial, uma espécie de templo religioso construído em homenagem à deusa Xuan Wu, a divindade das águas.

A especial devoção prestada à Xuan Wu era conseqüência de um constante problema vivido com os incêndios que aconteciam na cidade. O risco de incêndios era constante, tendo em vista que a grande maioria das construções era feita em madeira. Além dos acidentes e fenômenos naturais que propagavam esses incêndios, muitos construtores reais provocavam incêndios criminosos com o objetivo de lucrar com a contratação de sua mão-de-obra.

Toda a decoração da Cidade Proibida era inspirada pela arte milenar do feng shui, um método de decoração que promete atrair bons fluidos com a disposição correta das construções e objetos. A superstição era bastante grande na decoração de todas as construções ali encontradas. A grande maioria dos telhados da cidade era pintada de amarelo, coloração associada ao poder imperial e à prosperidade. Além disso, o uso de figuras de animais distinguia a importância entre as construções arquitetônicas.

Ao longo de cinco séculos, a Cidade Proibida era o símbolo maior da supremacia e da instabilidade política de um regime controlado por um único soberano. Até 1911, vinte e quatro imperadores controlaram o vasto território chinês na clausura desta suntuosa criação arquitetônica. Depois disso, uma revolta de inspiração republicana fez com que o imperador Puyi fosse o seu “último habitante real”.

Em 1925, a cidade foi transformada em Museu do Palácio e, pela primeira vez em sua história, aberta à visitação pública.