História dos Aparelhos Dentários

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A correção dentária contou com diversas técnicas ao longo dos séculos
A correção dentária contou com diversas técnicas ao longo dos séculos

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Por Rainer Gonçalves

Os aprimoramentos no campo da estética produzem atualmente uma avalanche de novidades que parecem singularizar nossa época. Maquiagens, cremes, tratamentos capilares, medicações, cirurgias parecem compor esse universo voltado para determinados paradigmas de beleza, harmonia e perfeição. Entretanto, poucos imaginam de que forma esse tipo de preocupação também afetou homens de outras épocas.

Para compreendermos melhor essa questão no passado, vamos falar um pouco sobre a busca por um “belo sorriso”. Entre os gregos, essa preocupação já tomava alguns dos estudos e anotações de Hipócrates e Aristóteles. Em seus estudos sobre o corpo humano, ambos tentavam desenvolver uma técnica de correção dental. Indo para um tempo mais distante, temos uma múmia egípcia, descoberta por cientistas britânicos, que tinha uma folha metálica presa aos seus dentes tortos.

Em outras culturas, o sorriso, além de belo, deveria ser imortal. Pesquisadores que estudaram a civilização etrusca, um dos povos mais antigos da Península Itálica, descobriram que os seus mortos tinham toda sua dentição presa a tocos de madeira. Tal prática visava manter intacto o sorriso do morto em sua vida além-túmulo. Entre os romanos, o fisiologista Aurelius Cornelius indicava a pressão manual como técnica de correção da arcada dentária.

No período medieval, as idéias voltadas para a salvação do espírito pouco se importavam se o corpo físico tinha dentes belos ou desgrenhados. Somente na Europa do século XVIII, com a febre racionalista e empírica, novos estudos contribuíram para o surgimento da ortodontia. No ano de 1728, a publicação “O Cirurgião Dentista”, de Pierre Fauchard, dava dicas sobre como seria possível corrigir os dentes de um paciente.

Nessa mesma obra, o estudioso francês apresenta uma engenhoca formada por uma peça metálica em forma de ferradura feita para expandir e, dessa maneira, melhor acomodar os dentes. O invento, batizado de “bandeau”, é reconhecido como um dos primeiros esboços dos atuais aparelhos dentários. Quase um século depois, um outro francês chamado Gaston Delebarre foi responsável pela criação daquele fio de metal ainda hoje utilizado nos aparelhos ortodônticos.

Ainda no século XIX, o dentista Joachim Lafoulon foi responsável por criar o termo que designaria essa especialidade odontológica como “ortodontia”. Depois disso, “Tratado sobre deformidades orais”, do norte-americano Norman W. Kingsley pontuou novas técnicas que se tornaram referência para os tratamentos ortodônticos até a primeira metade do século XX. Depois disso, os aparelhos ortodônticos ficaram populares com o aprimoramento na fabricação de bandas, braquetes e fios.

Desde então, a busca por esse tipo de tratamento passou a ser aprimorada com o objetivo de camuflar a presença do próprio aparelho. Os aparelhos externos, popularmente chamados de “freio de burro” causavam muito constrangimento às pessoas e, em muitos casos, desencorajava outros a passar pelas dolorosas sessões de manutenção do aparelho. Na década de 1970, novas técnicas permitiram a colagem direta dos braquetes na parte interna da arcada dentária.

Uma das últimas inovações nesse campo são os alinhadores transparentes de silicone, que transformaram a ortodontia em um tratamento praticamente imperceptível. A partir de então, os vários dos incômodos e ferimentos causados pelos aparelhos metálicos foram deixados para trás. Dessa forma, a busca pelo sorriso perfeito não exige o enfrentamento da “via crucis” que atormentava aqueles mais vaidosos ou, talvez, menos corajosos.