Do milho selvagem à pipoca no cinema

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Por Rainer Gonçalves

Parece que está na cabeça de todo mundo que um cinema sempre combina com uma pipoca, de preferência em um grande balde.

No começo o homem era essencialmente caçador, mas com o tempo a quantidade de homens era cada vez maior para a quantidade de animais a ser caçado. Podia-se andar um dia inteiro sem achar uma boa caça. Não se sabe ao certo quem ou quando se teria tido a idéia , provavelmente alguém com muita fome, de pegar uma plantinha da árvore e comer. Mas a idéia era tão boa , afinal as frutinhas não saem correndo , estão lá, é só pegar, que logo a maioria dos homens virou "coletor".

Podia não dar tanto trabalho quanto caçar, mas com certeza era trabalhoso, eles não tinham muita idéia de que fruta pode-se comer e qual não pode ... e muitas vezes a dor de barriga era a única recompensa por querer mudar de hábito. Logo foram aprendendo, pela experiência, e começaram a desenvolver uma forma de contar aos outros o que descobriam, uma espécie de linguagem de sinais.

Mesmo sabendo quais frutas comer, não era o suficiente para alimentar várias famílias juntas, já que uma vez tendo colhido todas as frutas de um lugar, elas acabam. É aí que os rios entram, as margens dos rios são muito férteis, e esses homens começavam a perceber que onde faziam festas com muita comida no ano seguinte aquela região estava cheia de frutas novamente. Mesmo que parecesse um ritual mágico, descobriam que após comer as frutas se jogassem seus restos no chão aquele local ficava "abençoado" para depois nascer ainda mais frutas.

Assim, pouco a pouco foram desenvolvendo as primeiras fazendas, a agricultura (que no começo servia só de apoio para o resto da comida que ainda vinha da caça).

Acontece que para o milho o caminho era ainda maior, a espiga de milho selvagem tem apenas 3 a 5 centímetros. Foram os olmecas, índios da região do México, que aprenderam pouco a pouco a separar os maiores grãos de cada espiga e plantá-los, e desta espiga maior tirar os maiores, e durante 2.000 anos fizeram isso, e somente assim chegaram a nossa espiga de milho do tamanho atual.

Eles tinham um ritual de fertilidade em que se enchia grandes potes (parecidos com baldes de pipoca) com milho, estouravam esse milho e comiam deixando que muitos e muitos caíssem no chão , já que os que caiam iriam dar novas colheitas no próximo ano.

E é desse ritual que até hoje em dia o balde de pipoca vem tão cheio que é impossível que não caia nenhuma, ainda que no chão do cinema dificilmente vai brotar qualquer espiga.

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