História Política do Egito Antigo

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O Deus Amon sacrificando povos estrangeiros: indícios da cultura expansionista do Egito
O Deus Amon sacrificando povos estrangeiros: indícios da cultura expansionista do Egito

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Por Rainer Gonçalves

O Egito, localizado na região nordeste do continente africano, foi uma civilização que floresceu graças à fertilidade de suas terras e a disposição de recursos hídricos oferecidos pelo Rio Nilo. As condições favoráveis de vida daquela região foram responsáveis pelo crescimento da população que logo passou a se organizar em diversas comunidades descentralizadas chamadas nomos.

O crescimento da sociedade ao longo do rio Nilo acabou estabelecendo, em 3.500 a.C., a criação de dois reinos: o Alto e o Baixo Egito. Durante o reinado de Menés, faraó do Alto Egito, realizou-se um processo de unificação onde ele subordinou todos os nomarcas do Egito (líderes supremos dos nomos) sob o seu comando. Dessa forma, temos estabelecido o primeiro período da era dinástica do Egito: o Antigo Império, que vai de 3200 a.C. até 2300 a.C..

Sob o comando do faraó, o Egito tornou-se uma monarquia centralizada formada por súditos subordinados ao poder do monarca. Dessa maneira, os egípcios eram obrigados a trabalhar nas lavouras, construções e obras administradas pelo governo do faraó. A centralização política era, vez após vez, questionada pelos nomarcas. Depois de um longo período de estabilidade, a pressão dos nomarcas acabou descentralizando o poder político em 2200 a.C..

Na parte final do século XXI a.C., o faraó Mentuhotep empreendeu um novo processo de unificação política do Egito. A capital foi transferida para a cidade de Tebas e a centralização governamental e o sistema de servidão coletiva foram reimplantados. Depois de quatro séculos de estabilidade e fortalecimento do poder faraônico, houve uma invasão promovida pelos hicsos, em 1630 a.C. Contando com um arsenal militar mais bem preparado e utilizando cavalos e carros de guerra, os egípcios foram subordinados à presença dos hicsos durante dois séculos.

Na metade do século XVII a.C., Amósis I conseguiu organizar uma mobilização de egípcios contra o predomínio dos hicsos. Na mesma época, o povo egípcio subordinou os hebreus e expandiu seus domínios territoriais. Sob o governo de Tutmés III (1480 a.C. – 1448 a.C.), os egípcios conquistaram regiões do Sudão e da Mesopotâmia. Nessa época, o poderio da autoridade faraônica alcançou seu auge mediante a grande disponibilidade de terras férteis, rebanhos e trabalhadores.

No governo de Amenófis IV (1377 a.C. – 1358 a.C.), o faraó impôs a desestruturação da prática religiosa politeísta em favor da adoração única e exclusiva do deus Aton, representante do círculo solar. Mudando seu nome para Akhenaton, o faraó constrói uma nova capital em homenagem ao deus-sol. Depois de sua morte, a prática monoteísta foi abolida por seu filho Tutancâmon. Depois de viver um novo processo de expansão territorial, sob o governo de Ramsés II, o Egito sofreu um novo processo de descentralização por volta de 1100 a.C..

O enfraquecimento militar decorrente da separação territorial possibilitou a invasão dos assírios, em 662 a.C.. Reagindo a dominação dos assírios, Psamético I realizou um novo processo de centralização do governo egípcio. Esse período, conhecido como Renascimento Saíta, foi marcado pelo amplo desenvolvimento das práticas comerciais entre os egípcios. Sob o governo do faraó Necao, patrocinou uma expedição de circunavegação do continente africano.

Em 525 a.C., os persas conseguiram conquistar os egípcios no momento em que se vivia um período de instabilidade, marcado por diversas revoltas camponesas. Nos séculos seguintes, os egípcios foram alvo da dominação de outros diferentes povos. Influenciado pela diversidade cultural de seus dominadores, o Egito tornou-se uma região marcada por uma intensa variabilidade cultural.