Alexandre, o Grande, e o domínio da Macedônia

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Mosaico de Alexandre, o Grande, produzido na antiga cidade romana de Pompeia*
Mosaico de Alexandre, o Grande, produzido na antiga cidade romana de Pompeia*

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Por Daniel Neves Silva

Alexandre, o Grande, foi o rei da Macedônia a partir de 336 a.C. e, durante seu reinado, conseguiu formar um grandioso império em um período de aproximadamente doze anos. Após o assassinato de seu pai, Alexandre partiu à conquista da Ásia e enfrentou o decadente Império Persa, que era liderado por Dario III. O grande legado do império macedônio foi a difusão da cultura grega para o Oriente.

Coroação de Alexandre

Os macedônios, povo que habitava o norte da Grécia, são considerados os herdeiros dos últimos grupos de helenos que se estabeleceram na região durante o Período Pré-homérico. Eles consideravam-se um povo helenizado, isto é, um povo de cultura grega, mas eram vistos com menosprezo pelos próprios gregos.

A Macedônia abandonou o estágio de seminomadismo e consolidou um poder centralizado a partir do século VII a.C. Com o enfraquecimento da Grécia, após os sucessivos conflitos travados durante as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso, a Macedônia ascendeu como potência local.

Os macedônios dominaram toda a região a partir da Batalha de Queroneia, quando o exército liderado por Filipe II da Macedônia derrotou o exército formado pela liga de cidades gregas em 338 a.C. No entanto, o reinado de Filipe II por toda a Grécia durou pouco tempo, pois, em 336 a.C., foi assassinado por Pausânias, um de seus guarda-costas.

Os historiadores não sabem precisar ao certo a motivação de Pausânias, mas cogita-se um desentendimento por questões pessoais entre os dois, ou mesmo que o assassinato de Filipe tenha sido parte de uma conspiração que visava matar tanto Filipe quanto seu sucessor, Alexandre. Com a morte de Filipe, Alexandre foi coroado rei da Macedônia em 336 a.C.

A morte de Filipe desencadeou uma crise na Macedônia, com o surgimento de conspirações para tomar o trono de Alexandre, ataques estrangeiros e rebeliões de cidades gregas. Alexandre agiu energicamente e contornou todos os obstáculos ao executar os conspiradores, conter os ataques estrangeiros e derrotar e punir as cidades gregas que se rebelaram.

Campanha contra a Pérsia

Após ratificar o seu poder internamente na Macedônia e na Grécia, Alexandre iniciou a campanha militar de conquista do Império Persa. Ele mobilizou um total aproximado de 50 mil soldados e foi para a direção da Ásia Menor (atual Turquia). Nessa região, foi iniciada a primeira fase da campanha e registrada uma importante vitória dos macedônios na Batalha de Grânico, em 334 a.C.

Essa vitória garantiu a Alexandre o controle sobre as cidades gregas da Jônia (outro termo para Ásia Menor), que estavam sob o domínio dos persas. Conforme afirma o historiador Claude Mossé, o rei macedônio transformou as cidades gregas da região em pólis democráticas e encerrou a cobrança do tributo que elas pagavam aos persas|1|.

Em seguida, Alexandre conseguiu dominar a região onde ficavam as cidades fenícias, conhecida como Levante. A conquista desse território foi possível a partir da vitória na Batalho de Isso, em 333 a.C., que expulsou as tropas persas desse local. Os relatos contam que, nessa batalha, Dario III iniciou uma fuga desesperada, deixando, inclusive, sua família para trás.

Com a vitória em Isso, todas as cidades da região entregaram-se ao domínio macedônio, exceto a cidade de Tiro, que impôs resistência. Alexandre somente conseguiu derrotar essa cidade depois de um cerco de oito meses. Ao conquistá-la, o rei macedônio ordenou que milhares de cidadãos locais fossem vendidos como escravos.

Com a conquista de toda essa região correspondente ao Líbano, parte da Síria, Israel e Palestina, Alexandre partiu para o Egito, onde permaneceu durante um ano. O grande destaque dessa estadia foi a fundação da cidade de Alexandria, em 331 a.C., que cumpria uma função militar importante e transformou-se em uma das cidades mais importantes da região.

Derrota do Império Persa

Após essa estadia no Egito, Alexandre retomou o seu objetivo principal e partiu novamente para derrotar Dario III e conquistar o Império Persa. A luta decisiva contra as tropas persas aconteceu durante a Batalha de Gaugamela em 331 a.C. Essa vitória marcou o fim do reinado de Dario III sobre o Império Persa.

Com essa vitória, Alexandre consolidou seu poder sobre importantes cidades da região, como Babilônia, Susa e Persépolis, e teve acesso a uma grande quantidade de ouro dos cofres reais persas. Dario III fugiu, mas foi assassinado por um sátrapa traidor, chamado Besso. Em seguida, Alexandre derrotou Besso e outro traidor, Epistámenes. Com isso, ele consolidou seu poder sobre as regiões do Império Persa.

Campanha indiana e morte de Alexandre

Ao garantir o controle sobre as regiões rebeldes do Império Persa, Alexandre organizou a campanha de conquista da Índia. Nessa campanha, o imperador macedônio enfrentou forte resistência, com uma grande batalha em Hidaspes contra Poro, rei de Paurava. As dificuldades dessa campanha indiana fizeram Alexandre recuar e retornar para a Babilônia.

Durante sua permanência nessa cidade, Alexandre adoeceu após um banquete e faleceu onze dias depois, em decorrência de uma forte febre. Os historiadores não sabem ao certo o motivo de sua morte, mas três causas são levantadas: envenenamento, malária e febre tifoide.

A morte de Alexandre interrompeu os planos de invasão da Península Arábica, e, então, o Império Macedônio foi dividido entre os seus principais generais. O grande legado desse império foi a difusão da cultura grega para o Oriente.

|1| MOSSÉ, Claude. Alexandre, o Grande. São Paulo: Estação Liberdade. 2004, p. 29.

*Créditos da imagem: Mounatinpix e Shutterstock