Invasões germânicas

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Quadro do século XIX retratando os exércitos romanos liderados por Nero Cláudio Druso para batalha contra tropas germânicas durante o século I a.C
Quadro do século XIX retratando os exércitos romanos liderados por Nero Cláudio Druso para batalha contra tropas germânicas durante o século I a.C

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Por Daniel Neves Silva

As invasões germânicas durante os séculos IV e V precipitaram o processo de desagregação do Império Romano. Nos territórios ocupados pelos povos germânicos, novos reinos surgiram a partir da fusão da cultura germânica com elementos da cultura latina (romana). As transformações realizadas a partir do estabelecimento dos germânicos deu forma à sociedade medieval.

Povos Germânicos

Os povos germânicos eram pejorativamente chamados pelos romanos de bárbaros por não partilharem dos mesmos costumes e do mesmo idioma que os romanos. Essa designação vem do nome dado para a região que habitavam: a Germânia. Desde o século II d.C., durante o reinado de Marco Aurélio, os romanos constantemente lutavam contra os germânicos nas fronteiras do Império.

Com o processo de decadência do Império Romano, a contenção dos povos germânicos tornou-se cada vez mais difícil. Assim, o Império passou a assimilar os povos germânicos, admitindo-os dentro de suas terras. Houve, com isso, a integração de guerreiros germânicos aos exércitos romanos e casos de germânicos que conseguiram ocupar cargos de importância dentro do Senado romano. A partir do século V, o processo germânico de migração atingiu um caráter catastrófico e tomou proporções maiores de violência.

Causas das invasões

As causas das invasões germânicas são incertas para os historiadores, mas existem alguns indícios que nos permitem entender melhor o assunto. Alguns historiadores afirmam que o crescimento demográfico levou os povos germânicos a migrar na busca de terras mais férteis. É levantada também a hipótese de que alterações climáticas tenham gerado um resfriamento do clima e afetado a sobrevivência dos germânicos, que foram obrigados a procurar melhores terras para sobreviver.

Existe ainda uma concordância entre historiadores sobre a chegada dos povos hunos, vindos da Ásia. A chegada dos hunos trouxe desespero entre os povos germânicos, que passaram a exercer pressão cada vez mais forte sobre as fronteiras do Império Romano.

Os hunos causaram a migração de Ostrogodos, Visigodos, Alanos, Burgúndios, Suevos, Vândalos e muitos outros para as terras do Império Romano. Alguns deles conseguiram asilo no Império, e outros forçaram sua entrada a partir de exércitos. O processo de desagregação do Império Romano aconteceu quando o último rei romano foi destituído pelos hérulos em 476 d.C.

Consequências

Mapa que mostra o estabelecimento dos reinos germânicos após a desagregação do Império Romano em 476 d.C
Mapa que mostra o estabelecimento dos reinos germânicos após a desagregação do Império Romano em 476 d.C

As migrações germânicas resultaram no processo de desgregação do Império Romano do Ocidente. Assim, o poder centralizado em Roma deixou de existir, e as terras foram ocupadas pelos germânicos, que prevaleceram a partir da força.

Além disso, houve também a ruralização da Europa, pois, com os centros de produção de alimentos atacados e as rotas comerciais fechadas, o abastecimento das cidades foi interrompido, gerando fome nas grandes cidades romanas. Houve também casos de epidemia de doenças nas grandes cidades, além de saques realizados pelos povos germânicos. Isso gerou uma migração de população para as zonas rurais com o objetivo de fugir da violência e de estar próximo dos locais de produção de alimentos. Esse processo também resultou na diminuição populacional da Europa.

A partir dos povos germânicos, novos reinos surgiram, como o Reino dos Francos, o Reino dos Visigodos, o Reino dos Ostrogodos etc. A fusão da cultura latina e germânica deu origem à cultura da sociedade ocidental. Além disso, a estrutura dessas sociedades possibilitou o surgimento das características que definiram a Europa durante o período feudal.


Por Daniel Neves
Graduado em História