Revolta da Chibata

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Hermes da Fonseca (1910-1914) era o presidente brasileiro quando se iniciou a Revolta da Chibata *
Hermes da Fonseca (1910-1914) era o presidente brasileiro quando se iniciou a Revolta da Chibata *

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Por Daniel Neves Silva

A Revolta da Chibata, que aconteceu no dia 22 de novembro de 1910, foi uma revolta militar em que soldados da Marinha realizaram um motim e tomaram o controle de dois encouraçados que estavam atracados no litoral do Rio de Janeiro. O estopim da revolta foi a insatisfação dos soldados alistados com uma punição a que eram submetidos: as chibatadas.

A CHIBATA COMO PUNIÇÃO

A Revolta teve como estopim a prática utilizada como forma de punição, que eram as chibatadas. Caso algum soldado alistado cometesse alguma falta grave, ele poderia ser castigado com uma quantidade de chibatadas. O uso das chibatadas era um castigo cruel, mas era uma prática antiga na Marinha brasileira, que utilizava as chibatadas desde a independência brasileira e era baseado num código português chamado Artigos de Guerra. Relatos informam que pouco antes da revolta se iniciar, em uma viagem que um encouraçado fez pelo litoral do Chile, os soldados já haviam manifestado sua insatisfação quando um deles foi punido com chibatadas. Segue o relato:

“Adalberto contou a seus filhos que durante viagem do Bahia ao Chile, às vésperas da rebelião houve protestos quando um marujo recebeu chibatadas no convés. A cada golpe seguia-se uma vaia, vinda das tripulações dos navios estrangeiros que presenciavam a cena. Este tipo de castigo subsistia somente no Brasil”|1|.

O INÍCIO DA REVOLTA

A Revolta representava muito mais que uma insatisfação contra uma punição violenta, mas também contra o racismo e a desigualdade social, pois a camada dos superiores na Marinha naquele momento era somente formada por brancos, enquanto que os soldados rasos eram, em maioria, formados por negros e mulatos.

Quando o movimento se iniciou, os soldados tomaram controle dos encouraçados São Paulo e Minas Gerais no dia 22 de novembro de 1910, eles apontaram os canhões dos navios para o Rio de Janeiro e ameaçaram atirar caso suas reivindicações não fossem aceitas. O manifesto de reivindicações enviado ao presidente Hermes da Fonseca (1910-1914) foi provavelmente escrito pelo marinheiro Adalberto Ferreira Ribas.

Durante as negociações, foi prometido aos soldados que suas reivindicações seriam aceitas e que os envolvidos seriam anistiados, entretanto essas promessas não foram cumpridos e a revolta foi sufocada com violência e os envolvidos foram presos na Ilha das Cobras e outros foram transferidos para um navio que foi enviado para o Acre e lá realizaram trabalhos forçados em seringais e em uma ferrovia que estava sendo construída na região.

|1| MOREL, Marco e ALMEIDA, Sílvia Capanema P. de. O almirante branco. Revista de História da Biblioteca Nacional. Ed. nº 53, p.38-39, 2010.

*Créditos da imagem: Zoltan Katona e Shutterstock


Por Daniel Neves
Graduado em História