Batalha de Berlim e a queda do Nazismo

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Dois alemães sentados em meio à destruição de Berlim, pouco depois da batalha que foi vencida pelos soviéticos
Dois alemães sentados em meio à destruição de Berlim, pouco depois da batalha que foi vencida pelos soviéticos

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Por Daniel Neves Silva

A Batalha de Berlim foi o último confronto no cenário de guerra europeu, no final da Segunda Guerra Mundial. Nessa batalha, milhões de soldados soviéticos realizaram o ataque à cidade, destruindo-a completamente. Com a conquista de Berlim, Hitler cometeu suicídio e a Alemanha Nazista rendeu-se no início de maio de 1945.

Antecedentes

Em abril de 1945, a Alemanha era uma nação em colapso por causa do esforço de guerra promovido desde 1939. Os soviéticos estavam cada vez mais próximos de Berlim e, à medida que se aproximavam, a retórica de vingança contra os alemães aumentava. A resistência alemã contra a ofensiva soviética estava desorganizada e desesperada.

No entanto, os alemães nem sempre estiveram nessa situação. A Segunda Guerra Mundial foi iniciada com o ataque dos alemães contra a Polônia, em setembro de 1939. A conquista da Polônia inaugurou um período vitorioso para a Alemanha na guerra, pois houve a conquista, em sequência, de inúmeros países, como Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica e França.

O momento-chave do conflito aconteceu em junho de 1941, quando os alemães iniciaram a invasão da União Soviética. Apesar dos avanços iniciais, eles foram barrados às portas de Moscou e sofreram uma dura derrota em Stalingrado. As derrotas no território soviético enfraqueceram a economia alemã, que não conseguiu suportar mais o esforço de guerra.

Entre 1942 e 1943, iniciou-se a recuperação dos soviéticos, tendo em Kursk um ponto principal. Além disso, o enfraquecimento germânico tornou-se perceptível com a derrota no norte da África, o que levou os Aliados a desembarcarem na Itália em 1943. A partir de 1944, os alemães sofriam ataques em diversas posições:

  • França: os Aliados inauguraram um novo fronte contra os alemães a partir dos desembarques na Normandia.

  • Itália: os Aliados pressionavam os alemães pela Itália desde 1943, porém com avanços muito lentos.

  • Polônia: os soviéticos iniciaram uma grande ofensiva sobre a Polônia com o objetivo de expulsar os alemães do país e retomar a capital Varsóvia.

Em 1945, a derrocada dos alemães ficou evidente nas derrotas sofridas nas Ardenas e em Budapeste. Com isso, os alemães preparam-se para o pior: o ataque soviético contra Berlim.

Ataque a Berlim

O cerco contra a cidade de Berlim foi realizado em abril de 1945, com a mobilização de um contingente superior a 2,5 milhões de soldados, apoiados por milhares de blindados, canhões e aviões|1|. Grande parte da estratégia de guerra no ataque contra Berlim foi realizada pelo próprio Stálin, mas também tiveram papel importante nela os comandantes Konev e Zhukov.

A conquista de Berlim foi estipulada como alvo prioritário por Stálin, que desejava conquistar a cidade antes de britânicos e americanos. A obsessão do líder soviético por Berlim pode ser vista como uma vingança pessoal após toda a destruição promovida pelos alemães na União Soviética, mas, além disso, a conquista dessa cidade era importante para os soviéticos obterem o acesso às informações secretas dos estudos científicos promovidos pelos alemães no desenvolvimento de armas nucleares.

A população alemã manifestava o desespero diante da ameaça iminente dos soviéticos e, assim, milhares de pessoas tentaram desesperadamente fugir de trem da cidade. Os que ficaram estocaram comida e água, na medida do possível, e refugiaram-se nos porões para proteger-se dos bombardeios soviéticos. A defesa alemã contou com milhares de jovens com idade entre 13 e 18 anos e com idosos com mais de 60 anos.

No dia 16 de abril, os soviéticos iniciaram o ataque contra as posições defensivas da Alemanha em Seelow, nas proximidades de Berlim. O comandante Zhukov autorizou pesado bombardeio sobre os alemães, e, assim, mais de 1.200.000 bombas foram lançadas pelos canhões soviéticos|2|. O ataque contra as defesas alemãs em Seelow custou aos soviéticos a morte de 30 mil soldados e foi concluído somente no dia 21 de abril|3|.

Quando a cidade foi oficialmente invadida, no dia 25, a luta por Berlim foi travada rua por rua e com os soviéticos fazendo pequenos avanços ao longo de uma semana. Poucos dias antes da invasão soviética ser consolidada, inúmeros líderes alemães fugiram da cidade enquanto haviam rotas abertas. Foi sugerido a Hitler que ele também fugisse para a Baviera, porém o líder alemão recusou-se a abandonar Berlim.

Com os soviéticos conquistando a capital alemã, iniciou-se um frenesi de ataques contra a população local, com saques e estupros em massa acontecendo. Antony Beevor afirma que as demonstrações de violência dos soviéticos em Berlim foi menor do que a demonstrada em outros locais, no entanto, ainda assim, estima-se que até 130 mil mulheres podem ter sido estupradas por soldados soviéticos, muitas das quais foram estupradas por diversas vezes|4|.

Adolf Hitler passou os seus dias finais em seu abrigo subterrâneo, localizado a cerca de 360 metros do parlamento alemão. Hitler e sua esposa, Eva Hitler – também conhecida como Eva Braun – cometeram suicídio quando os soviéticos conquistaram o parlamento no dia 30 de abril de 1945. A respeito do suicídio do líder nazista, Antony Beevor relatou o seguinte:

Por fim, Hitler se retirou para a sua sala com a esposa, que estivera alegre no almoço embora soubesse exatamente o que iria acontecer. Ninguém ouviu o barulho do tiro, mas pouco depois da 15h15 Linge, o seu criado, entrou seguido de outros. Hitler disparara um tiro na cabeça e Eva Hitler tomara o ácido cianídrico. Os seus corpos foram envolvidos em cobertores cinza da Wehrmacht e levados para o Jardim da Chancelaria do Reich, onde foram incinerados com gasolina segundo o desejo de Hitler|5|.

Com a morte de Hitler, o poder da Alemanha foi assumido por Karl Dönitz, que tratou de aceitar os termos da rendição incondicional no dia 2 de maio de 1945. Com isso, a Alemanha foi ocupada e dividida pelos Aliados em zonas de influência. Além disso, os Aliados organizaram os julgamentos dos responsáveis, do lado alemão, por crimes contra a humanidade durante a guerra.

|1| HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 643.
|2| BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record. 2015, p. 817.
|3| HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 645.
|4| BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record. 2015, p. 817.
|5| Idem, p. 834-835.