Che Guevara: de revolucionário a ícone pop

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Che Guevara: de revolucionário a ícone da indústria cultural
Che Guevara: de revolucionário a ícone da indústria cultural

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Por Leandro Carvalho Dascena Neto

Por Leandro Carvalho

Che Guevara é uma das pessoas mais conhecidas do século XX. No presente texto iremos perceber como esse líder revolucionário se transformou, após a sua morte, em um ícone pop e observaremos como o regime capitalista, ao qual ele fazia oposição, acabou se apropriando de sua imagem, de forma a obter enormes lucros.

Ernesto Guevara de La Serna nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, Argentina. Formou-se em medicina, mas exerceu pouco sua carreira de médico. No ano de 1952, empreendeu uma viagem, que podemos considerar uma aventura, pela América Latina, percorrendo 10 mil quilômetros em sua moto Norton 500 (apelidada de ‘La Poderosa’) com seu amigo Alberto Granado.

Essa viagem foi transformada no filme “Diário de uma motocicleta”, no ano de 2004, pelo diretor brasileiro Walter Salles. O filme baseou-se no diário de viagem deixado por Guevara. Nele foram registradas as viagens ao Peru, Amazonas, deserto de Atacama no Chile, o encontro com indígenas e mineiros e a pobreza e a injustiça vividas por grande parte da população por onde Che e Granado passaram.

A viagem serviu para encorajar Che a lutar contra as injustiças sociais e a seguir a ideologia comunista. No ano de 1955, já com diploma de médico, transformou-se em guerrilheiro e foi para Cuba lutar contra a ditadura de Fulgêncio Batista. No ano de 1959, participou, juntamente com Fidel Castro, da Revolução Cubana, que instalou Fidel no poder.

Após ser ministro da economia em Cuba, Ernesto Che continuou sua vida de guerrilheiro: foi para a África, onde tentou fazer a revolução socialista no Congo Belga – tentativa frustrada. Posteriormente foi para a Bolívia, onde comandou o movimento guerrilheiro boliviano. No ano de 1967, Che Guevara foi capturado por tropas bolivianas, onde foi executado.

Depois da morte de Guevara, sua imagem foi explorada pela indústria cultural. As indústrias capitalistas apropriaram-se de sua imagem para a obtenção do lucro – justamente uma figura que fazia extrema oposição ao capitalismo. A foto feita por Alejandro Korda, em que Che está usando boina preta, seu cabelo ao vento e olhando para o horizonte, é uma das imagens mais conhecidas e vendidas da história. Os capitalistas fizeram milhares de mercadorias a partir da foto de Korda, como pôsteres, chaveiros, camisetas, pratos, canecas, tatuagens, entre outros.

Che Guevara se transformou em um ícone pop, sua imagem enriqueceu milhares de empresários e explorou o trabalho assalariado de milhões de empregados. A construção mítica da imagem do revolucionário somente foi possível após a sua morte.