Crise dos mísseis

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Míssil modelo R-12, desativado, em Havana – Cuba *
Míssil modelo R-12, desativado, em Havana – Cuba *

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O que foi a Crise dos mísseis?

O episódio conhecido como “Crise dos Mísseis” ocorreu entre os dias 16 e 28 de outubro de 1962. Esse incidente resultou da descoberta de bases de lançamento de mísseis nucleares, modelos R-12 Dvina (também conhecido como SS-4 Sandal) e R-14 Chusovaya, ambos de fabricação soviética e instalados pela própria União Soviética em solo cubano. Para compreendermos o porquê disso ter gerado a pior crise da Guerra Fria, e um dos momentos mais tensos da história humana, precisamos nos reportar ao fenômeno da “Corrida Armamentista”.

Guerra Fria e Corrida Armamentista

Sabemos que a Segunda Guerra Mundial teve fim logo após o lançamento das duas bombas atômicas, de urânio e de plutônio, sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, pelos Estados Unidos. A demostração do poder destrutivo dessas bombas, e da posse que os EUA tinham sobre essa tecnologia, provocou a chamada “Corrida Armamentista”, já que a então aliada dos EUA na guerra contra as Potências do Eixo, URSS, poucos anos depois rompeu com os EUA e lançou-se na busca pelo desenvolvimento de tecnologia nuclear. Em 1949, os soviéticos fizeram o seu primeiro teste com uma bomba atômica.

A busca pela confecção de bombas atômicas mais potentes e por formas de lançá-las, como os mísseis balísticos, foi uma das características definidoras da Guerra Fria. No início dos anos 1960, os dois líderes mundiais que travavam essa “queda de braço” tecnológico-militar eram John Kennedy (EUA) e Nikita Kruschev (URSS).

Mísseis em Cuba

Em 1959, em meio a essa ambiência da Guerra Fria e da Corrida Armamentista, ocorreu a Revolução Cubana, movimento liderado por personagens como Fidel Castro e Che Guevara que depôs o então presidente Fulgêncio Batista. Em 1961, Fidel Castro declarou publicamente a sua adesão ao comunismo internacional e sua opção pelo marxismo-leninismo, sendo que quatro anos depois fundou o Partido Comunista de Cuba. A postura de Fidel Castro aproximou, definitivamente, Cuba da União Soviética. Sendo Cuba uma ilha geograficamente estratégica, situada no Caribe, os soviéticos viram em seu território uma oportunidade do estabelecimento de bases de mísseis nucleares que ficariam apontados para as cidades estadunidenses.

No mesmo ano de 1961, Cuba sofreu uma tentativa de ação contrarrevolucionária por parte de cubanos anticastristas exilados nos EUA, que foram treinados pela CIA. Essa ação ficou conhecida como invasão da Baía dos Porcos, que resultou na Batalha de Playa Girón. Os contrarrevolucionários foram derrotados. Mas, dada a relação da CIA com o evento, Cuba optou por ceder espaço em seu território para a instalação dos mísseis balísticos soviéticos, como forma de impor-se geopoliticamente no continente americano.

Descoberta dos mísseis e o “sábado negro”

A base de mísseis nucleares foi descoberta pelas Forças Armadas dos EUA no dia 14 de outubro de 1962 por aviões-espiões, modelo U-2, que fotografavam periodicamente a ilha. Os mísseis de médio alcance poderiam atingir a capital americana, Washington, em cerca de 13 minutos. Após a descoberta, o presidente John Kennedy e seus comandantes optaram por estabelecer um bloqueio contra Cuba, em vez de atacá-la, e ao mesmo tempo procurar negociar a tensão com Nikita Kruschev.

As negociações se estenderam pelos dez dias seguintes. A principal exigência para a retirada dos mísseis de Cuba era a de que os EUA se comprometessem em não mais dar apoio a qualquer tentativa de invasão do território cubano. Ocorre que, quando se imaginava que a tensão estava se dispersando, no dia 27 de outubro, um sábado, um dos aviões-espiões U-2 foi abatido pela artilharia antiaérea cubana, provocando a morte do piloto. Esse foi o dia em que a Crise dos Mísseis chegou a seu auge, isto é, na iminência de uma “apocalipse nuclear”, provocado por mísseis disparados pelas duas superpotências.

Resolução da crise

No dia 28 de outubro, mais uma condição foi imposta pela URSS ao EUA: além do compromisso de não atacar Cuba, os americanos deveriam também retirar “material semelhante” (mísseis balísticos nucleares) da Turquia – país geograficamente próximo ao Leste Europeu. O acordo foi selado e a URSS comprometeu-se a desativar e retirar seus mísseis da ilha caribenha.

*Créditos da imagem: Shutterstock e douglasmack


Por Me. Cláudio Fernandes