Estado Novo e a Marcha para o Oeste

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Getúlio Vargas idealizou o desenvolvimento do projeto Marcha para o Oeste durante o Estado Novo
Getúlio Vargas idealizou o desenvolvimento do projeto Marcha para o Oeste durante o Estado Novo

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Por Daniel Neves Silva

A chamada Marcha para o Oeste foi um projeto desenvolvido pelo governo de Getúlio Vargas durante a ditadura do Estado Novo. Esse projeto foi criado com o intuito de promover a integração econômica e o crescimento populacional das regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. Essa marcha, entretanto, alcançou parcialmente seus objetivos.

Marcha para o Oeste e a ditadura do Estado Novo

No decorrer da ditadura do Estado Novo, o governo de Getúlio Vargas promoveu o projeto “Marcha para o Oeste” que tinha o intuito de realizar a integração econômica das regiões Norte e Centro-Oeste, consideradas, até então, isoladas das outras regiões litorâneas. Além disso, o projeto tinha como objetivo promover o desenvolvimento habitacional dessas áreas avaliadas como pouco povoadas do Brasil.

Esse projeto foi desenvolvido no período ditatorial do governo de Getúlio Vargas, que se iniciou após o Golpe do Estado Novo aplicado em 1937. A Marcha para o Oeste foi propagandeada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que era responsável pela propaganda oficial do governo getulista e pela censura.

Para que o projeto de integração econômica e desenvolvimento habitacional obtivesse êxito, o governo estipulou como fundamental o desenvolvimento da malha rodoviária do Brasil para facilitar a conexão dessas regiões com o litoral e facilitar o escoamento da produção agrícola. Para isso, o Estado de Goiás era visto como essencial por causa de sua posição centralizada na geografia brasileira.

Para a promoção do programa, o governo brasileiro nomeou Cassiano Ricardo, um influente escritor modernista do Brasil na época. Ele também havia acumulado funções no governo getulista como censor oficial de um importante jornal veiculado pelo governo e também chefiava o Departamento Político Cultural da Rádio Nacional.

Cassiano Ricardo tinha posição destacada na época como defensor do governo de Getúlio Vargas. Ele compartilhava de ideais conservadores e reacionários e, em seu livro “Marcha para o oeste: a influência da bandeira na formação social e política do Brasil”, fez a defesa do programa de Getúlio, além de defender a ditadura do Estado Novo.

No livro, esse escritor construiu ideologicamente a importância do projeto promovido pelo governo Vargas. Para ele, o programa Marcha para o Oeste era importante para o Brasil, pois resgataria a verdadeira brasilidade, o que seria, segundo ainda ele, essencial para livrar o Brasil dos “vícios estrangeiristas” que contaminavam as regiões litorâneas. Vargas também via os estrangeiros como indivíduos subversivos que eram responsáveis, por exemplo, pela deflagração de greves trabalhistas no Brasil.

Estrutura da Marcha para o Oeste

A característica básica do programa Marcha para o Oeste era promover a integração do Centro-Oeste e Norte do Brasil com as regiões litorâneas. Essa integração aconteceria a partir do desenvolvimento populacional de ambas as regiões, aliado com o desenvolvimento econômico e da malha rodoviária. Para promover o desenvolvimento habitacional desses territórios, o governo promoveu a criação de colônias habitacionais em vários estados: Goiás, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Maranhão.

Para o desenvolvimento econômico, o governo defendia o aproveitamento dessas regiões para aumentar a produção agrícola. Uma etapa considerada essencial pelo governo – e, inclusive, fortemente defendida por Cassiano Ricardo – era o desmonte das grandes propriedades de terra conhecidas como latifúndios. A proposta de Cassiano Ricardo defendia o desenvolvimento de pequenas propriedades que desenvolvessem agricultura familiar.

Além disso, as colônias de habitação criadas durante a Marcha para o Oeste visavam, preferencialmente, os brasileiros pobres. O grande alvo do governo eram os nordestinos que moravam em regiões de pouco desenvolvimento econômico.

O projeto de Vargas conseguiu, em parte, alcançar seus objetivos, pois foi registrado um crescimento populacional nas regiões-alvo do programa, além do aumento da produção e da malha rodoviária. Outros projetos, no entanto, como o desmonte dos latifúndios, não foram realizados e as colônias criadas pelo governo foram alvo de críticas, uma vez que careciam de estrutura e apoio estatal.


Por Daniel Neves
Graduado em História