Eugenia Nazista

Você está aqui

Home / Idade Contemporânea / Eugenia Nazista

No nazismo, houve a articulação do extermínio de “pessoas indesejáveis” na sociedade alemã
No nazismo, houve a articulação do extermínio de “pessoas indesejáveis” na sociedade alemã

Curtidas

0

Compartilhe:
Por Cláudio Fernandes

Entre as principais características do Nazismo, destacou-se a sua concepção de uma “raça superior”, rótulo que pertencia à raça ariana, isto é, a raça branca e perfeita que teria se perpetuado na linhagem sanguínea dos povos germânicos que deram origem ao Estado alemão. Pois bem, associada a essa concepção racista, que ocasionou o genocídio dos judeus, há uma ideia que também era fundamental para os nazistas: a eugenia, isto é, o projeto de eliminar da sociedade qualquer tipo de pessoa que apresentasse alguma deficiência mental ou física, bem como aperfeiçoar, geneticamente, uma geração perfeita de homens e mulheres, adequados à raça ariana.

A eugenia (termo que vem do grego e significa “boa origem”) não era uma ideia original do nazismo, haja vista que já circulava na Europa entre cientistas do século XIX. Mas Hitler, auxiliado por um de seus principais oficiais, Heirich Himmler, e por um grupo de médicos e outros cientistas que apoiavam o Reich, levou a cabo um projeto que tinha o propósito de “purificar” a sociedade germânica dos “seres indesejáveis”. Entre esses seres indesejáveis estavam aqueles que viviam confinados em hospícios e asilos. Além disso, crianças que apresentassem algum problema grave de saúde e deficientes físicos integravam também essa lista de “indesejáveis”.

O historiador Philippe Burrin descreveu em seu livro “Hitler e os Judeus” como, antes mesmo da Segunda Guerra ter início e dos campos de concentração promoverem a morte em grande escala, Hitler e a sua “elite eugenista” faziam os experimentos para a sua “solução final”. Diz Burrin:

[...] Solicitado por um casal que lhe pedia para autorizar a morte do filho incurável, Hitler respondeu favoravelmente. Decidiu então que o mesmo destino seria imposto sem apelação a todos os recém-nascidos portadores de deformações ou anormais. No dia 18 de agosto de 1939, uma circular do Ministério do Interior obrigava os médicos e parteiras do Reich a declarar as crianças que sofriam de uma deformidade. Reunidos em seções especiais, elas foram mortas pela injeção de drogas ou pela fome.”

Em outro trecho do livro, Burrin destaca a decisão de aplicar o método eugenista, que era cinicamente tratado pelos nazistas como “eutanásia”, a doentes mentais. Descreve o autor:

No início do outono de 1939, Hitler decidiu pôr fim também à 'existência indigna de ser vivida dos doentes mentais'. Uma ordem correspondente foi dada inicialmente de forma verbal, depois, no decorrer do mês de outubro, por meio de uma carta cuja data foi antecipada para 1° de setembro de 1939. Hitler não confiou a direção desta operação, impropriamente qualificada de “eutanásia”, a Himmler, mas a uma de suas secretárias, a chancelaria do Führer, cuja tarefa consistia em princípio em receber as solicitações particulares.”

A chancelaria de Hitler passou a desenvolver mecanismos sigilosos de aplicação da eugenia, desde a elaboração de listas de pacientes esquizofrênicos, epilépticos, paralíticos e psicopatas até a criação de uma empresa destinada a transportar as pessoas dos hospitais para os centros de eutanásia, onde seriam mortas por gás tóxico. Continua Burrin:

[...] Depois de algumas experiências, foi estabelecido um procedimento uniforme, que consistia em mandar que as vítimas se despissem ou despi-las e levá-las numa sala com falsas duchas onde elas seriam asfixiadas por monóxido de carbono. Os cadáveres eram queimados num forno crematório, depois que lhes eram arrancados todos os dentes de ouro. Um atestado de óbito era enviado às famílias após um processo de complicada camuflagem, a fim de evitar o anúncio simultâneo de inúmeros decessos numa mesma localidade. Em pouco menos de dois anos, a empresa fez mais de 70 mil vítimas.

Na mesma época em que praticavam essas atrocidades, Hitler e seu alto escalão de oficiais também preparavam o isolamento e o extermínio de judeus, ciganos, poloneses e outros tipos de pessoas que julgavam inferiores ou, de algum modo, nocivas. Ao fim da guerra, em 1945, seis milhões de pessoas haviam sido mortas nos campos de concentração.

 

NOTAS

[1] BURRIN, Philippe. Hitler e os Judeus – Gênese de um genocídio. (trad. Ana Maria Capovilla). Porto Alegre, L&PM, 1990. p. 68.

[2] Idem. pp. 68-69.

[3] Idem. p. 69. 


Por Me. Cláudio Fernandes