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Selo com imagem do general Francisco Franco, ditador da Espanha
Selo com imagem do general Francisco Franco, ditador da Espanha

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Por Cláudio Fernandes

Por Me. Cláudio Fernandes

O franquismo, assim como o salazarismo em Portugal, foi uma modalidade de fascismo praticada na Espanha que faz referência à figura do general Francisco Franco (1892-1975), que esteve no poder desse país de 1939 a 1975, quando morreu. O franquismo é um termo usado para definir tanto o modo de se fazer política de Francisco Franco quanto o culto à sua personalidade.

O general Franco passou a destacar-se como figura pública na Espanha a partir do momento em que a República Espanhola, que havia sido instituída logo no início da década de 1930, passou a ser contestada por setores conservadores e por militares ligados a esses setores. A contestação dava-se pelo fato principal de ser a república eminentemente de esquerda, controlada pela Frente Popular.

Em julho de 1936, Franco e outros membros do exército que eram simpatizantes do fascismo, desenvolvido na Itália, e do nazismo, desenvolvido na Alemanha, como Gonzalo Queipo de Llano, Emilio Mola e José Sanjturjo, articularam um golpe contra o governo de esquerda. Como esse governo era apoiado pela URSS, de Stálin, e Franco e os demais fascistas eram apoiados por Hitler, Mussoloni e Oliveira Salazar, de Portugal, logo se instalou uma guerra civil na Espanha que duraria até o ano de 1939.

Em meio a essa guerra, no ano de 1937, os nazistas que apoiavam Franco bombardearam a cidade de Guernica com o objetivo de testar seu maquinário militar que seria utilizado na Segunda Guerra Mundial. A vitória das forças fascistas espanholas lideradas pelo general Franco consolidou-se em 1939, ano em que se iniciou o segundo conflito mundial. Com o fim da Segunda Guerra em 1945, o fascismo tornou-se um modelo político desprestigiado, entretanto, Franco e outros líderes, como Salazar, continuaram a ostentar o seu poder autoritário. Da década de 1940 à década de 1970, o governo de Franco procurou engendrar, tal como tipicamente se fazia nos regimes fascistas, uma máquina de propaganda para enaltecer a figura do ditador. Associada a essa máquina de propaganda, uma manipulação da memória histórica da nação espanhola também foi gestada. A pesquisadora Janete Abraão, em seu ensaio “O dois de maio, a 'Guerra de Independência e a Memória manipulada durante a Guerra Civil e o Franquismo'”, acentuou bem a forma como o franquismo usou a memória da luta da Espanha contra o imperialismo napoleônico do início do século XIX a seu favor:

Cabe afirmar que o mito da 'Espanha indomável' de 1808, que se opõe à dominação estrangeira, teve enorme repercussão durante o regime franquista (1939-1975). Mas há que se levar em consideração o fato de que, o franquismo, não fez senão capitalizar, em seu interesse, o discurso romântico nacionalista, tradicionalista e católico de fins do século XIX, com toda a sua carga emocional. Foi nesse sentido que o franquismo relacionou o Dois de Maio de 1808 ao Dezoito de Julho de 1936. Dessa forma, a historiografia de cunho franquista não duvidou em afirmar que os acontecimentos históricos de maior transcendência para a 'pátria espanhola' eram a 'Guerra de Independência' (1808-1814) e a “Guerra de Libertação” (1936-1939).” (Abrão, Janete. “O dois de maio, a 'Guerra de Independência e a Memória manipulada durante a Guerra Civil e o Franquismo'”. In: Abrão, Janete (org.) Espanha: política e cultura. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010. p. 25)

Dessa forma, o franquismo procurou instituir uma imagem particular da história espanhola ajustada ao seu interesse. Essa perspectiva só foi revista e discutida após a morte de Franco e o processo de redemocratização da Espanha, que só se deu a partir de 1978.

* Créditos da imagem: Shutterstock e Neftali