Guerra civil na Síria

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Tanque do exército sírio posicionado no subúrbio de Damasco, em batalha de setembro de 2013 contra os rebeldes *
Tanque do exército sírio posicionado no subúrbio de Damasco, em batalha de setembro de 2013 contra os rebeldes *

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Por Daniel Neves Silva

A guerra civil na Síria acontece desde 2011 e é considerada um dos grandes desastres humanitários dos últimos anos. Foi responsável por cerca de 470 mil mortes segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos e levou mais de 11 milhões de pessoas a sair de suas casas (refugiados).

Causas da guerra

A guerra civil na Síria é um desdobramento dos protestos que aconteceram no país a partir da Primavera Árabe, que chegou à Síria em janeiro de 2011. O país do Oriente Médio é governado de maneira ditatorial por Bashar al-Assad desde 2000 e pela família al-Assad desde a década de 1970. Os protestos na Síria contra o governo de Bashar al-Assad foram motivados pela onda de protestos que se espalhou pelos países árabes a partir de 2010.

Os protestos pediam reformas no governo e que houvesse mais democracia, instituição do pluripartidarismo, mais empregos, melhores condições de vida etc. Os primeiros protestos concentraram-se nas cidades de Deraa e na capital, Damasco. Como a repressão do governo de Bashar al-Assad foi violenta, os protestos espalharam-se por todo o país, inclusive pela maior cidade da Síria, Aleppo.

A guerra começou quando os grupos que atuavam nos protestos juntaram-se aos militares desertores e formaram milícias armadas. Essas milícias armadas tinham como objetivo revidar a violência do governo e expulsar as tropas do exército sírio de suas cidades. A resposta de Bashar al-Assad foi impor mais repressão e, assim, a violência espalhou-se por todo o país.

Guerra civil na Síria

A guerra civil na Síria mobilizou inicialmente a oposição representada pelo Exército Livre da Síria (ELS) contra as tropas do governo sírio. O ELS surgiu a partir da mobilização de civis durante os protestos da Primavera Árabe. Ao se juntar com militares desertores, formaram esse grupo armado que se oficializou em julho de 2011. O ELS é considerado como um grupo de origem secular, ou seja, que não está vinculado a nenhuma tendência religiosa. Representa a ala moderada da oposição.

À medida que o conflitou avançou, outros grupos rebeldes foram surgindo, mas de orientação extremista. O maior desses grupos rebeldes extremistas é a Frente Fateh al-Sham (antiga Frente Al-Nusra), de orientação sunita. Esse grupo, até julho de 2016, era o braço armado da Al-Qaeda na Síria. A desvinculação da Frente Fateh al-Sham da Al-Qaeda, até onde se sabe, aconteceu pacificamente.

A partir de 2014, aproveitando-se da fragilidade da Síria, o antigo braço iraquiano da Al-Qaeda, conhecido como Estado Islâmico, invadiu a Síria e conquistou parte do território. A atuação do Estado Islâmico levou à fundação de um califado na região. O califado é uma espécie de reino islâmico que impõe a sharia (lei islâmica). O Estado Islâmico busca a autonomia total sobre a Síria, portanto, luta contra todos os grupos beligerantes.

A violência trazida pelo Estado Islâmico levou os curdos sírios a se mobilizar em autodefesa. Assim, surgiu a Unidade de Proteção Popular do Curdistão Sírio. A YPG (na sigla em curdo) pertence ao Curdistão Sírio, área do Norte e Nordeste da Síria que está sob controle dos curdos. A YPG também garante a defesa dos curdos sírios do ataque de tropas da Turquia.

Mobilização estrangeira

A mobilização estrangeira na guerra da Síria acontece de maneira direta e indireta, pois vários países apoiam distintos grupos. A mobilização americana, a princípio, ocorreu contra o Estado Islâmico. Nesse momento, os Estados Unidos bombardeavam posições controladas pelo grupo extremista para enfraquecê-lo. Hoje, os Estados Unidos também apoiam grupos rebeldes, como o Exército Livre da Síria e a Unidade de Proteção Popular.

A Rússia, por sua vez, garante apoio ao governo de Bashar al-Assad e, até o momento, que a Síria não sofra sanções internacionais. Além disso, a Rússia aderiu ao conflito a partir de 2015 para reforçar a luta do governo sírio contra o Estado Islâmico e contra os rebeldes. O Irã também apoia o governo sírio, principalmente para evitar que milícias sunitas assumam o poder na Síria. O Irã envia tropas, armas e dinheiro para Bashar al-Assad.

Conclusão

A guerra civil na Síria segue com grande indefinição. O território sírio hoje se encontra fragmentado entre os vários grupos existentes, talvez com leve superioridade do Estado Islâmico. Entretanto, o enfraquecimento recente do Estado Islâmico é consequência direta do aumento de apoio aos grupos rebeldes e ao governo sírio. O conflito matou quase meio milhão de pessoas e fez com que cinco milhões de pessoas fugissem da Síria. Até o momento, as perspectivas para o fim do conflito são nebulosas.

*Créditos da imagem: Art Production e Shutterstock

 

Por Daniel Neves
Graduado em História