Guerra dos Farrapos

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Giuseppe Garibaldi, um dos ícones da Unificação Italiana, também se tornou célebre por lutar no Brasil apoiando a revolta farroupilha
Giuseppe Garibaldi, um dos ícones da Unificação Italiana, também se tornou célebre por lutar no Brasil apoiando a revolta farroupilha

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Por Me. Cláudio Fernandes

Um dos acontecimentos mais impactantes e importantes do Período Regencial Brasileiro, isto é, o período em que o Brasil foi governado por regentes de Dom Pedro II, que se tornaria rei, foi a chamada Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha. Essa guerra se desenrolou ao longo de dez anos, de 1835 a 1845, e teve como cenário o sul do país, nas regiões que hoje compreendem os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

A origem dos conflitos entre o poder do Estado brasileiro e a elite sulista foi uma medida alfandegária, outorgada pelo governo central, que permitia a entrada em território nacional de produtos de países vizinhos com impostos reduzidos. Esses produtos, entretanto, eram similares aos artigos produzidos pelos pecuaristas do Sul, como o charque (carne de gado seca) e o couro. A elite de pecuaristas gaúchos rebelou-se contra a medida, que, segundo os representantes do governo central, visava à competitividade entre os artigos, já que os paulistas (principais consumidores desse tipo de produto) reclamavam do alto preço cobrado pelos sulistas.

A isso se juntava o fato de que, na ausência de um rei (D. Pedro I havia abdicado do trono em favor de seu filho), as lideranças gaúchas passaram a endossar posições separatistas de caráter republicano. As insatisfações com a política econômica avolumaram-se para insatisfações com o próprio sistema político.

Os conflitos tiveram seu início em 1835, sob a liderança do militar e estancieiro Bento Gonçalves, um dos principais líderes sulistas. Aos líderes da elite juntaram-se os trabalhadores pobres, chamados de “farrapos”. Daí advém a expressão “farroupilha” ou “Guerra dos Farrapos”. É importante destacar o caráter de liderança que Bento Gonçalves possuía entre os sulistas e o modo como fazia para inflamar os cidadãos à luta por meio de manifestos, como ressaltou a pesquisadora Laura de Leão Dornelles:

É importante levar em consideração que Bento fala em nome de todos os riograndenses, mas o fato é que a Província estaria dividida entre os que eram a favor e aqueles que eram contra a governança imperial. Devido a essa situação, provavelmente, redige esses manifestos em tom épico e confere aos homens que pegaram em armas o papel de heróis. Eles estariam lutando para resgatar o “Império da lei”, que pode ser compreendido a partir de duas leituras. Primeiramente, de uma figura retórica veio a ideia de que o Rio Grande se encontraria em uma situação de “caos” e aos revoltosos caberia a instauração de uma situação em que a lei e a ordem voltassem a imperar na Província. [1]

Com Bento Gonçalves, os farrapos conseguiram tomar o Rio Grande do Sul e proclamar a denominada República Rio-Grandense ou República de Piratini. Em 1839, invadiram Santa Catarina e proclamaram a República de Juliana, que se tornou uma confederação com a República Rio-Grandense. A onda de conquistas dos farrapos só terminou com uma incursão das tropas imperiais pelo Sul comandadas por Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, que, por meio de negociações, conseguiu dissuadir a revolta por volta de 1845.

Um dos personagens mais célebres da Guerra dos Farrapos foi o italiano Giuseppe Garibaldi, que foi um dos líderes da Unificação Italiana. Sua presença nas batalhas e seu caso com Anita Garibaldi contribuíram para a construção de uma imagem romanceada da revolução farroupilha.

NOTAS

[1] DORNELLES, Laura de Leão. Guerra Farroupilha: considerações acerca das tensões internas, reivindicações e ganhos reais do decênio revoltoso. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais. Vol. 2, n. 4, Dez., 2010. p. 173.