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O chamado “holocausto” implicou o extermínio de milhões de judeus em campos de concentração*
O chamado “holocausto” implicou o extermínio de milhões de judeus em campos de concentração*

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Em termos históricos, o “holocausto” diz respeito ao genocídio de judeus e pessoas de outras etnias engendrado pelo regime nazista na década de 1940. Esse fato está entre os mais terríveis da história e, em especial, do século XX, ao lado do bombardeio nuclear no Japão e dos genocídios levados a cabo na União Soviética (como o holodomor), na China e no Camboja por regimes comunistas.

 

Antissemitismo e eugenia nazista

O holocausto começou a ser idealizado por Adolf Hitler quando este estava redigindo o seu livro “Minha Luta”, nos anos 1920, na prisão. Tal ideia estava inserida em um plano maior que Hitler almejava colocar em prática quando assumisse o poder: a construção do “espaço vital”.

Construir o “espaço vital” era o objetivo maior do Terceiro Reich. Tal “espaço” consistia em um vasto território imperial e colonialista alemão, que teria seu centro na Europa, mas se alastraria para outros continentes. Nesse “espaço”, reinaria a raça ariana (branca) germânica, considerada superior a todas as demais e destinada à conquista e submissão de outras raças a seu jugo.

Hitler e também alguns de seus mais altos oficiais, como Himmler, entendiam a política como expressão de uma ordem natural ideologicamente subvertida. Política, para os nazistas, não era administração do bem comum e convivência de interesses conflitantes, reguladas por lei. Não, a única lei era a lei da raça, do triunfo natural do mais qualificado.

Dentro desse universo eugenista (para compreender o que era a eugenia nazista, clique aqui), havia uma “raça” na contramão dessa “ordem natural”: os judeus. Hitler entendia que os judeus introduziram na história a distinção entre política e natureza ao conceberem uma ideia de um Deus misericordioso (o que desembocou no cristianismo), que reconhece a humanidade como algo diverso do universo animal e não submetida às mesmas leis de dominação, predação etc.

O antissemitismo (aversão aos judeus) nazista possuía essa especificidade de argumentação política com conteúdo biológico ideologizado, como bem observa Alain Besançon, em seu livro A infelicidade do século:

O bem, segundo o nazismo, consiste em restaurar uma ordem natural corrompida pela história. A correta hierarquização das raças foi transformada por esses acontecimentos funestos que são o cristianismo ('esta peste, a pior doença que nos tem atingido em toda a nossa história'), a democracia, o reino do outro, o bolchevismo, os judeus. A ordem natural é coroada pelo Reich alemão, mas reserva um lugar aos outros germânicos, que são os escandinavos, os holandeses, os flamengos. Pode-se mesmo deixar intacto o império britânico, que é 'um império mundial criado pela raça branca'. Abaixo, os franceses e os italianos. Mais abaixo ainda os eslavos, que serão escravizados e reduzidos em número: Himmler encara uma 'diminuição' de trinta milhões. [1]

Pogroms

Após assumir o poder da Alemanha, em 1933, Hitler não tardou em dar início aos seus projetos. A perseguição aos judeus começou ainda antes da Segunda Guerra Mundial na forma de confisco de fortunas, expulsão forçada, destituição de empregos públicos, isolamento social em guetos e, sobretudo, pogroms. Pogrom é um termo russo utilizado para designar o tipo de ato violento em massa contra pessoas, estabelecimentos comerciais, casas, ambientes religiosos, etc., de origem judaica.

Os grupos de extermínio nazistas, conhecidos como Einsatzgruppen, encarregavam-se, no fim dos anos 1930, da execução dos pogroms dentro da Alemanha e também em outros países do Leste europeu. Essas ações prenunciavam o genocídio que estava por vir.

 

Indústria da morte

Quando a guerra teve início e as tropas nazistas começaram a ocupar muitas regiões da Europa, como os Países Baixos, França, Holanda, Grécia, além da já citada Polônia, o plano de condução dos judeus para campos de trabalhos forçados foi posto em prática. Entretanto, tais campos não tiveram apenas a função de escravizar judeus, ciganos, deficientes físicos e outras pessoas consideradas “indesejáveis”. Eles também tiveram a função de exterminá-los em câmaras de gás nas quais se vaporizava o inseticida Zyklon-B.

 

Latas vazias do inseticida Zyklon-B, que era vaporizado nas câmaras de gás dos campos de concentração.

Dezenas de campos foram construídos para essa finalidade. O maior deles foi erguido em Auschwitz, na Polônia, para onde rumavam dezenas de milhares de homens e mulheres, inclusive crianças e idosos, em vagões de trens. Após a morte nas câmaras de gás, os corpos eram incinerados em fornos construídos também para essa finalidade. Nos campos em que não se conseguia incinerar todos os corpos, eram cavadas enormes valas para que fossem depositados os cadáveres.

 

*Créditos da imagem: Shutterstock e Everett Historical

NOTAS

[1] BESANÇON, Alain. A infelicidade do século – sobre o comunismo, o nazismo e a unicidade da Shoa. Trad. Emir Sader. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. pp. 40-41.


Por Me. Cláudio Fernandes