Proclamação da República no Brasil

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Alegoria da República Brasileira, homenagem da Revista Illustrada
Alegoria da República Brasileira, homenagem da Revista Illustrada

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Por Cláudio Fernandes

Por Me. Cláudio Fernandes

A Proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889, é um dos acontecimentos mais emblemáticos da história brasileira, e não apenas por ter mudado o sistema político do país, mas por ter provocado uma transformação na esfera psicológica da população, que estava adaptada à figura do imperador e a uma estrutura de poder que independia da participação direta do povo (ainda que fosse de modo arbitrário, pelos coronéis, como ocorreria na fase da República Velha).

Historiadores como José Murilo de Carvalho têm analisado como a população recebeu o fato da mudança do sistema de governo: geralmente, com espanto e sem saber direito o que, de fato, estava ocorrendo.

Já nas duas últimas décadas do Segundo Império (1870-1880), havia uma pressão muito grande dos movimentos republicanos contra o governo de Pedro II. A república foi instituída por meio de um golpe articulado entre o Exército, que durante muito tempo foi fiel ao império, mas depois abraçou os pressupostos políticos dos republicanos e duas alas principais da sociedade civil: uma de orientação liberal e outra de caráter federativo e positivista. Esses três setores tinham um ponto em comum, que é apontado pelo historiador Boris Fausto em sua obra “História do Brasil”:

a República deveria ser dotada de um Poder Executivo forte, ou passar por uma fase mais ou menos prolongada de ditadura. A autonomia das províncias tinha um sentido suspeito, não só por servir aos interesses dos grandes proprietários rurais como por incorrer no risco de fragmentar o país. Lembremos que, durante a Primeira República, só muito excepcionalmente os chefes militares provinham das duas regiões de maior importância política: São Paulo e Minas Gerais.” [1]

A ideia de um poder executivo forte deriva diretamente do positivismo, e foi assim que se seguiu nos seis primeiros anos da República, com os governos ditatoriais de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, ambos militares. Diz ainda Boris Fausto que:

Recebida com restrições na Inglaterra, a proclamação da República brasileira foi saudada com entusiasmo na Argentina e aproximou o Brasil dos Estados Unidos. A mudança de regime se deu quando estava em curso, em Washington, a Conferência Internacional Americana, convocada por iniciativa dos Estados Unidos. O representante brasileiro à conferência foi substituído por Salvador de Mendonça, republicano histórico, que se aproximou dos pontos de vista norte-americanos. [2]

Essas diferentes recepções estavam relacionadas com a perspectiva da tradição política de cada nação naquele contexto. A Inglaterra, por exemplo, repudiava um regime presidencialista autoritário, pois possuía uma tradição parlamentarista e monárquica, por isso, a sua relutância quanto à proclamação da República no Brasil.

NOTAS

[1] FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2013. p. 212.

[2] Idem. p. 212.