Revolução Alemã de 1918-1919

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Rosa Luxemburgo foi uma das principais figuras da Revolução Alemã, participando ativamente da Liga Spartacus.*
Rosa Luxemburgo foi uma das principais figuras da Revolução Alemã, participando ativamente da Liga Spartacus.*

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Por Tales dos Santos

Por Tales Pinto

A Revolução Alemã de 1918-1919 está diretamente ligada à Primeira Guerra Mundial, às divisões que se desenvolveram dentro do Partido Social Democrata Alemão (SPD) desde fins de 1915 e à Revolução Russa de 1917.

A deflagração da guerra, com a Alemanha sendo um de seus principais protagonistas, e o apoio de grande parte do SPD à concessão de créditos de guerra ao II Reich criaram divisões internas no partido. Uma minoria que foi crescendo ao longo dos anos opunha-se à concessão dos créditos de guerra, afirmando que tal política beneficiava apenas a burguesias dos países beligerantes, ao colocar os trabalhadores dos países envolvidos no conflito mundial para lutarem entre si. A base dessa defesa era a necessidade de manter os laços internacionais dos operários.

Novos partidos surgiram das divisões internas do SPD. Em janeiro de 1917, foi formado pela ala esquerda do SPD o Partido Social Democrata Alemão Independente (USPD), que iria tentar fortalecer as ações operárias contra a guerra e pela melhoria da qualidade de vida. Dento do USPD havia a Liga Spartacus, liderada principalmente por Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. Além disso, havia um grupo de delegados revolucionários que mantinha certa independência em relação ao partido, sendo formado por operários berlinenses que participaram das primeiras movimentações operárias durante o início da Primeira Guerra Mundial.

Porém, o desenrolar das ações revolucionárias fez com que o próprio USPD se dividisse, dando origem a um novo partido formado pela Liga Espartaquista, denominado Partido Comunista Alemão (KPD), formado a partir de finais de 1918.

A Revolução Russa de 1917 exerceu também considerável influência sobre os operários e soldados alemães ao criar o sentimento de possibilidade de realizarem um processo revolucionário que derrubasse o capitalismo. Essa perspectiva ficava ainda mais forte à medida que as condições sociais decorrentes da fome e do frio, causadas pela participação da Alemanha na I Guerra Mundial, atingiram cada vez mais profundamente a população. Um grande contingente de soldados passou a abandonar a frente de guerra, enfraquecendo o exército alemão.

Mas a característica mais importante da Revolução Alemã de 1918-1919 foi a constituição de inúmeros conselhos de operários e soldados em diversas cidades alemãs. Decorrentes de inúmeras greves massivas e inspirados possivelmente nos sovietes russos, os defensores do poder radicado nesses conselhos chegaram a proclamar em novembro de 1918, em Berlim, uma República Socialista. Várias outras cidades tiveram como base do poder, durante algumas semanas, os conselhos de operários e soldados.

No entanto, o fortalecimento das movimentações operárias e a ameaça ao poder constituído fizeram com que a repressão das forças militares alemãs se intensificasse. Com as seguidas derrotas na linha de frente, o poder do Imperador Guilherme II, do II Reich, desmoronou pela ação dos conselhos, em 09 de novembro de 1918. Mas, posteriormente, emergiu uma República comandada principalmente pelos social-democratas do SPD. Apesar de se definirem como um partido dos trabalhadores, os social-democratas comandaram a repressão sobre os conselhos de trabalhadores e soldados.

O apoio à ação dos Freikorps buscava enfraquecer o movimento de base dos trabalhadores. Esses corpos militares foram formados após a desestruturação do exército, em decorrência da derrota na Primeira Guerra Mundial, a partir de oficiais conservadores e militares antirrevolucionários. Os Freikorps entraram inclusive em confronto com os marinheiros amotinados em Kiel, onde foram formados conselhos de marujos que destituíram seus oficiais e tomaram suas armas e embarcações.

Por uma série de motivos, o movimento revolucionário foi se enfraquecendo. A divisão entre os partidos de esquerda e a falta de uma perspectiva de constituição de um poder alternativo à República por parte dos conselhos de trabalhadores e soldados foram apontados por historiadores e militantes como os motivos da derrota da Revolução Alemã de 1918-1919.

No início de 1919, os ataques dos Freikorps passaram a ter êxito, prendendo e matando milhares de trabalhadores envolvidos nas lutas. Os casos mais notórios ocorreram com os líderes espartaquistas Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo. Presos, foram assassinados em 15 de janeiro de 1919. Essa onda repressiva conseguiu frear o movimento, apesar das lutas pela constituição de Repúblicas baseadas nos conselhos surgirem em diversas localidades alemãs até maio de 1919.

A consolidação do poder do SPD na recém-formada República de Weimar conseguiria acabar com o movimento revolucionário. Novas lutas desenvolver-se-iam ainda em 1920 e 1921, mas sem a mesma força e ímpeto dos anos anteriores.

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* Créditos da Imagem: svic e Shutterstock