Revolução Cubana

Você está aqui

Home / Idade Contemporânea / Revolução Cubana

Selo cubano de 1968 com o rosto de Ernesto Che Guevara, um dos líderes do movimento *
Selo cubano de 1968 com o rosto de Ernesto Che Guevara, um dos líderes do movimento *

Curtidas

0

Compartilhe:

A Revolução Cubana foi um processo revolucionário responsável pela derrubada do governo ditatorial imposto por Fulgêncio Batista que resultou na tomada de poder da guerrilha liderada por Fidel Castro no ano de 1959. Apesar de, a princípio, não se basear em uma ideologia socialista, o movimento cubano acabou se alinhando ao comunismo soviético.

Golpe de Fulgêncio Batista

Cuba tornou-se independente em 1898, a partir do apoio dos EUA contra a Espanha, e desde então tornou-se uma espécie de quintal dos EUA, onde inúmeros negócios norte-americanos se desenvolviam com lucros altíssimos às custas da exploração da economia cubana. O processo de oposição contra o poder em Cuba se iniciou a partir do golpe político realizado por Fulgêncio Batista, em 10 de março de 1952, que resultou na derrubada do então presidente Carlos Prío Socarrás. A partir do golpe, Fulgêncio Batista instituiu uma forte ditadura militar com forte repressão da imprensa e de qualquer movimento político de oposição e com ela se iniciou a luta de Fidel Castro e seus partidários. Podemos afirmar, portanto, que o movimento liderado por Fidel Castro é, ao mesmo tempo, uma luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista e também uma luta nacionalista contra as intervenções norte-americanas nos assuntos cubanos, tanto em questões políticas quanto em questões econômicas.

Início da luta

A luta contra Fulgêncio Batista começou a partir de 1953, quando foi organizado o ataque ao Quartel de Moncada, na cidade de Santiago, no dia 26 de julho. O objetivo do ataque era realizar a tomada das armas, porém o ataque foi um fracasso e Fidel Castro e seu irmão foram presos. Fidel Castro foi condenado a 15 anos de prisão, contudo, dois anos depois, em 1955, foi anistiado (perdoado) por Fulgêncio Batista em razão da pressão pública que havia sobre Batista. Fidel e seu irmão se exilaram no México e de lá organizaram novamente o movimento a fim de retornar à Cuba para derrubar Fulgêncio Batista.

No México, Fidel Castro organizou um grupo de 81 homens e entre eles estavam Raúl Castro, Ernesto “Che” Guevara e Camilo Cienfuegos, que retornaram à ilha de Cuba em 1956 e em dezembro do mesmo ano sofreram um ataque do exército cubano e foram derrotados. Após a derrota, os sobreviventes fugiram e se esconderam na região de Sierra Maestra e, a partir de lá, reorganizaram e passaram a atuar em táticas de guerrilhas, realizando pequenos ataques às tropas do exército cubano que, pouco a pouco, foram desmoralizando o governo de Fulgêncio Batista e ganhando cada vez mais simpatizantes. Sobre a derrota de Fulgêncio:

Fidel venceu porque o regime de Batista era frágil, não tinha apoio real, a não ser motivado pela conveniência e o interesse próprio, e era liderado por um homem tornado indolente por longa corrupção. Desmoronou assim que a oposição de todas as classes políticas, da burguesia democrática aos comunistas, se uniram contra ele, e os próprios soldados, policiais e torturadores concluíram que o tempo dele se esgotara”1

Derrotado, Fulgêncio Batista fugiu e se exilou na República Dominicana em 1º de janeiro de 1959.

Novo governo cubano e Guerra Fria

Logo após a derrota, Fidel Castro se intitulou primeiro-ministro e pouco a pouco foi concentrando o poder em si. Algumas medidas iniciais do novo governo foram: realizou a reforma agrária, acabando com os grandes latifúndios existentes na ilha, e nacionalizou empresas estrangeiras, afetando diretamente os interesses dos Estados Unidos na ilha.

Em janeiro de 1961, os Estados Unidos rompem relações diplomáticas com Cuba e, em abril do mesmo ano, um ataque contrarrevolucionário que contava com apoio da CIA foi realizado contra o governo de Fidel na Invasão da Baía dos Porcos. As tropas de Fidel Castro conseguiram neutralizar o ataque, porém Fidel Castro alinhou Cuba à União Soviética, declarando Cuba como uma nação socialista. A respeito disso:

Com efeito, a revolução cubana foi autóctone, teve um caráter nacional e democrático, e a implantação de um regime segundo o modelo dos países do Leste Europeu resultou de uma contingência histórica, não de uma política empreendida pela União Soviética, mas sim, empreendida pelos Estados Unidos que, sem respeitar os princípios da soberania nacional e autodeterminação dos povos, não aceitaram os atos da revolução, como a reforma agrária, e transformaram contradições de interesses nacionais em um problema do conflito Leste-Oeste”.2

A partir do alinhamento de Cuba ao modelo socialista, uma série de intervenções foram realizadas na educação e saúde, sendo consideradas referências atualmente, mas também o modelo cubano é criticado pela falta de liberdade de expressão e pelas condições de pobreza as quais a população cubana é submetida atualmente. Após o alinhamento com o modelo soviético, Cuba também foi palco de uma das maiores tensões do período conhecido como Crise dos Mísseis, onde foram descobertas a instalação de bases de mísseis soviéticos em Cuba, gerando um conflito diplomático entre Estados Unidos e União Soviética que foi solucionado após negociações.

*Créditos da imagem: Catwalker e Shutterstock

Notas:

1 HOBSBAWN, Eric. A Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 426.

2 BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. Fidel Castro, a revolução Cubana e a América Latina. Acessado em: https://www.espacoacademico.com.br/082/82bandeira.pdf, no dia 14/02 às 7:15.


Por Daniel Neves
Graduado em História