Mosteiros medievais

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Simonos Petras, que fica na Grécia, é um exemplo de um mosteiro construído no alto de um penhasco
Simonos Petras, que fica na Grécia, é um exemplo de um mosteiro construído no alto de um penhasco

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Por Cláudio Fernandes

Por Me. Cláudio Fernandes

Entre a chamada Antiguidade Tardia e a Alta Idade Média, isto é, por volta dos séculos V e VI d.C., o cristianismo procurava sobressair-se e estabelecer-se enquanto instituição religiosa em meio às crises deflagradas pelas invasões bárbaras, que assolaram o Império Romano. Sendo uma religião de caráter universal, o cristianismo conseguiu agregar indivíduos das mais diversas regiões do mundo, desde a Ásia Menor até o norte da Europa. Além das organizações em bispados e da centralidade da autoridade religiosa na figura do papa, outras formas de vivência da experiência cristã passaram a tornar-se fundamentais. A vida monástica e a construção dos mosteiros foram umas dessas formas de vivência.

Mais que uma simples vida religiosa, a vida monástica caracterizou-se pela reclusão e pelo ascetismo, isto é, pela opção de uma vida isolada do convívio comum com outras pessoas, que não outros monges, e submetida à austeridade e à disciplina (o que configura a ascese). O grande símbolo da vida monástica que se tornou o modelo para todas as gerações posteriores de monges foi Santo Antão do Deserto (ou Santo Antão do Egito, como também ficou conhecido), que viveu entre os séculos III e IV d.C.

Os primeiros monges cristãos, como Antão, eram eremitas ou anacoretas. Isso quer dizer que se retiravam do convívio social e iam para lugares completamente despovoados, como os desertos, para viveram sozinhos. Depois, por volta do fim do século VI, houve o desenvolvimento do sistema cenobítico. O monaquismo cenobita, ao contrário do anacoreta, caracterizava-se pela vida em cenóbio, isto é, em comunidade. Foram os monges cenobitas que passaram a construir os mosteiros no início da Idade Média.

Os mosteiros medievais, fossem católicos ou ortodoxos, eram construídos em lugares bem distantes de quaisquer centros urbanos que tivessem grande fluxo de pessoas. Um exemplo notório é o mosteiro de Simonos Petras, na Grécia, construído no alto de um penhasco, no Monte Athos (ver imagem no topo do texto). A vida nos mosteiros era, além de ser dedicada a orações, meditação, disciplina corporal etc., também marcada pela divisão de tarefas do cotidiano, como o trabalho na lavoura, o trabalho na cozinha, o asseio com as dependências do mosteiro, entre outras.

Um dos grandes responsáveis pela formulação de normas para a vida no mosteiro foi Bento de Núrsia (Itália). Seu conjunto de normas ficou conhecido como Regra de São Bento. Em sua “Regra”, São Bento expunha, item por item, como deveria ser o comportamento dos monges, o modo certo e as horas certas de rezar, como manusear e guardar os instrumentos usados na lavoura, entre outras coias.

O modelo da vida monástica teve grande impacto na Idade Media, sobretudo por apresentar-se como modelo civilizatório e moralizador. Da mesma forma, os mosteiros tornaram-se ícones da Idade Média, como ocorreu com as Universidades, que também se desenvolveram no mesmo período.