Revoltas camponesas do século XIV

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Por Tales dos Santos

Por Tales Pinto

Durante o século XIV, a Europa ocidental vivenciou o período de crise do regime feudal, resultando em novos problemas sociais para essa sociedade em profunda transformação. Uma dessas crises sociais estava ligada às revoltas camponesas contra a nobreza, consequência da intensificação da exploração a que estavam submetidos.

A intensificação das obrigações servis, ampliando a exploração dos camponeses, levou à eclosão das Revoltas Camponesas no séc. XIV
A intensificação das obrigações servis, ampliando a exploração dos camponeses, levou à eclosão das Revoltas Camponesas no séc. XIV

Já em fins do século XIII, os sinais de decadência econômica e demográfica tornavam-se claros no Ocidente europeu. Fatores climáticos, como chuvas e esgotamento do solo, em decorrência da utilização de técnicas que não repunham os nutrientes retirados pelas culturas agrícolas, levaram à queda acentuada da produção.

Essa diminuição da produção fez com que os nobres intensificassem a exploração do trabalho servil. Como essa exploração era realizada através do tempo de trabalho nas terras dos senhores, a intensificação desse trabalho acarretava mais horas de trabalho nessas terras e menos trabalho nas terras utilizadas pelos camponeses para produzir alimentos para sua subsistência.

Somou-se a essa situação a ocorrência da peste negra nas décadas de 1340 e 1350, que dizimou a população europeia ocidental. Estima-se que 2/3 dos habitantes das cidades contraíram a doença e 70% destes morreram. No campo, a ocorrência foi menos intensa, mas ela não deixou de existir.

Esses fatores geraram instabilidade social, que resultou em revoltas das classes exploradas contra seus exploradores. Nas cidades, um exemplo pode ser encontrado na Revolta dos Ciompi (trabalhadores assalariados do setor têxtil), que teve seu auge em Florença, em 1378, quando os trabalhadores chegaram a derrubar o poder dos industriais e banqueiros.

Mas foi no campo que as revoltas foram mais agudas. As jacqueries, revoltas conduzidas pelos camponeses franceses, foram o caso mais notório. O termo é decorrente de uma expressão francesa, Jacques Bonhomme, que significa Jacques, o simples, uma forma pejorativa utilizada pelas classes exploradoras francesas para designar os camponeses, o que no Brasil corresponderia ao João Ninguém.

Em 1358, os camponeses franceses se sublevaram com armas nas mãos contra os nobres e o clero, em uma luta contra a intensificação da exploração. A ação dos camponeses contra seus inimigos foi violenta, como também foi violenta a repressão das classes dominantes contra a sublevação. Cerca de 20 mil camponeses morreram nas jacqueries.

Na Inglaterra, em 1381, os camponeses se revoltaram contra o aumento de impostos sobre os servos, contra a fixação dos salários e contra a volta da obrigatoriedade da permanência dos servos em uma dada propriedade. Grupos camponeses chegaram a marchar até Londres, destruindo edifícios e clamando por reformas.

Apesar de essas revoltas terem sido derrotadas, elas indicaram o início do fim da servidão na Europa Ocidental e a desintegração do mundo feudal, em decorrência das transformações sociais que geraram. Seria o início da transformação desses camponeses em futuros proletários, o que, conjugado com a centralização do Estado e a ampliação do comércio com o exterior da Europa, possibilitaria a criação das condições necessárias ao desenvolvimento do modo de produção capitalista.

 

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