Concílio de Trento

Você está aqui

Home / Idade Moderna / Concílio de Trento

Reunião do concílio na Catedral de Trento
Reunião do concílio na Catedral de Trento

Curtidas

0

Comentários

0

Compartilhe:
Por Cláudio Fernandes

Por Me. Cláudio Fernandes

O Concílio de Trento, realizado entre as décadas de 1540 e 1560, na cidade italiana homônima, teve um grande impacto no contexto da Contrarreforma operada pela Igreja Católica.

Sabe-se que as Reformas Protestantes tiveram um impacto na Europa do século XVI que foi muito além do aspecto religioso. Os reformistas, sobretudo Lutero, que tinham uma grande habilidade oratória e também uma grande penetração entre o público leigo, ofereceram aos vários principados que compunham o Sacro Império Romano-Germânico a possibilidade de articularem-se politicamente sem a anuência expressa do imperador e da Igreja.

Os reformistas criticavam o comportamento dos representantes da Igreja que ocupavam altos postos dentro da hierarquia eclesiástica, que possuíam grande influência política e pouco cuidado espiritual. A despeito das propostas teológicas (para muitos, consideradas revolucionárias e heréticas), as Reformas Protestantes acabaram dando brecha para as guerras civis religiosas na Europa, fato que deu origem ao moderno Estado Nacional, sob feições absolutistas.

A Igreja Católica, nesse contexto, ponderou as críticas dos reformistas e procurou resolver o problema institucional e espiritualmente. O Concílio Ecumênico de Trento esteve nessa segunda categoria, pois foi reunido com a finalidade de reafirmar os dogmas católicos e reajustar a conduta de clérigos e leigos católicos dentro dessas doutrinas.

A realização do concílio começou em 1545 a partir de uma bula papal publicada em 1542. Alguns historiadores, como o britânico Christopher Dawson, defendem o argumento de que o concílio não pode ser encarado com uma resposta à Reforma Luterana, haja vista que a resposta à reforma alemã já estava sendo dada por via institucional e militar mediante as guerras internas do continente. O Concílio de Trento estipulava diretrizes espirituais de acordo com o que a tradição dos doutores da Igreja e dos santos sempre defendera.

Por conta das guerras incessantes, o concílio teve uma primeira interrupção em 1547. Seu prosseguimento aconteceu entre os anos de 1551 e 1552, quando teve que novamente ser interrompido. A terceira e última reunião ocorreu entre os anos de 1562 e1563, sob o pontificado de Pio IV.

Christopher Dawson elencou, em sua obra A Divisão da Cristandade – Da Reforma Protestante à Era do Iluminismo, os pontos mais importantes do Concílio de Trento:

Sua importância para a Igreja, todavia, não pode ser superestimada. Ofereceu condições para a Igreja recobrar as forças da ortodoxia que estavam dispersas e desorganizadas e conferiu uma base sólida de dogma e disciplina, a partir da qual novos avanços poderiam ser realizados. Acima de tudo, trouxe todo o peso da autoridade para reprimir abusos facilmente notados que causaram a ruptura do governo eclesiástico – a ausência dos bispos e pastores dos locais em que deveriam exercer suas funções, o pluralismo ou a acumulação de benefícios, a negligência para com a oração, o descuido com a educação clerical e muitos outros. [1]

Além disso, outras duas resoluções merecem ser mencionadas: 1) a publicação do Index Librorum Prohibitorum, isto é, o Índice de Livros Proibidos pela Igreja, no qual se encontravam, entre outros títulos, “Decameron”, de Boccaccio, e “O Elogio da Loucura”, de Erasmo de Rotterdan. 2) a preservação do rito da missa e do seu valor como celebração do sacrifício de Cristo. Esse valor pode ser visto no Capítulo III, da seção XXII, do Concílio de Trento, realizada em 17 de setembro de 1562, que segue abaixo:

E ainda que a Igreja tenha tido o costume de celebrar, em várias ocasiões, algumas missas em honra e memória dos santos, ensina que não se oferece a estes o sacrifício, porém apenas a Deus, que lhes deu a coroa, de onde é que nunca diz o sacerdote: "eu te ofereço, ó São Pedro " ou "ó São Paulo este sacrifício...", senão dando graças a Deus pelas vitórias que estes alcançaram, implora sua ajuda para que os mesmos santos de quem lembramos na terra, se dignem a interceder por nós no céu.

NOTAS

[1] DAWSON, Christopher. A Divisão da Cristandade. São Paulo: É Realizações, 2014. p. 191.