Escrita Maia

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Um fragmento de relatos contidos no Códex de Dresden
Um fragmento de relatos contidos no Códex de Dresden

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Por Rainer Gonçalves

Entre todos os sistemas de escrita existentes na Mesoamérica, segundo alguns especialistas, a escrita maia é considerada uma das mais desenvolvidas. Esse sistema de escrita, de fato, foi fruto do intercâmbio cultural estabelecido com a civilização olmeca, que anteriormente ocupou a região mexicana entre os anos de 1500 e 400 a.C.. Desprovido de um sistema alfabético, a escrita maia contava com um extenso conjunto de caracteres que representavam sons ou símbolos.

Os pesquisadores ainda não foram capazes de decifrar integralmente os códigos usados pelos maias. Somente com o auxílio de computadores é que, recentemente, cerca da metade dos caracteres foram traduzidos. Toda essa dificuldade é proveniente da falta de um padrão simplificado onde um glifo representa um único som ou letra. A escrita dos maias adota o uso de um mesmo caractere para representar dois ou mais símbolos e sons. Ao mesmo tempo, um mesmo conceito poderia ser representado por caracteres completamente diferentes.

Além de constituir uma forma de comunicação entre os maias, a escrita também tinha uma vinculação religiosa. Os maias acreditavam que a escrita era um presente dos deuses e, por isso, deveria ser ensinada a uma parcela privilegiada da população. De maneira geral, utilizavam diferentes materiais para o registro de alguma informação. Pedras, madeira, papel e cerâmica eram os materiais mais recorrentes. Além disso, os maias também fabricavam livros e códices confeccionados a partir de fibra vegetal, resina e cal.

De forma geral, os documentos maias privilegiavam o registro dos fatos cotidianos do povo. Uma importante função da escrita era o registro do tempo, pelo qual eram regulamentados os períodos de celebração religiosa. Outros escritos contavam do desenvolvimento de novos conhecimentos e rituais religiosos. Infelizmente, boa parte desse material foi perdido com o processo de dominação espanhola. O bispo Diego Landa, em 1566, esforçou-se para traduzir alguns documentos com a ajuda dos índios catequizados.

O processo de dominação espanhola tratou de incinerar a grande maioria da documentação escrita maia. Sob a aprovação da Igreja, os registros maias foram queimados por conta de sua origem pagã. Atualmente, somente três grandes obras da cultura letrada dos maias foram preservadas. São os códices de Códex Dresdensis, Tro-Cortesianus e Peresianus. Essas valiosas fontes de pesquisas se encontram separadas em museus da Alemanha, Espanha e França.