Literatura Suméria

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As narrativas dos sumérios eram registradas em tabuinhas de argila, escritas com a técnica cuneiforme
As narrativas dos sumérios eram registradas em tabuinhas de argila, escritas com a técnica cuneiforme

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Por Me. Cláudio Fernandes

Os povos sumérios, que começaram a desenvolver-se na região da Mesopotâmia por volta de 3000 a.C., naquela que ficou conhecida como “revolução urbana”, estabeleceram-se em cidades que adquiriram relevância nessa região, tais como Ur e Uruk. Como ocorreu em todas as civilizações antigas, os sumérios também elaboraram tentativas de explicação para perguntas fundamentais concernentes ao ser humano, tais como “existia uma idade dos heróis e dos deuses antes dos homens?”, “como se criou o mundo?”, entre outras. Os sumérios procuraram responder a essas perguntas por meio de sua Literatura, isto é, por meio de suas narrativas mitopoéticas e epopeias.

Uma narrativa mitopoética geralmente procura explicar os fenômenos naturais, a origem do universo e a origem dos homens por meio de construções metafóricas e simbólicas, elaborando um enredo que dê sentido à realidade e ao passado. É o caso, entre os sumérios, da obra O Mito da Criação, que procura relatar a origem do mundo através da vontade do deus Marduk. Já a epopeia refere-se à narrativa de um herói, à saga empreendida por ele. Os sumérios desenvolveram uma das mais impressionantes epopeias de que se têm registro, a Epopeia de Gilgamesh, que conta a história do herói homônimo e de seu amigo Enkidu, narrando as proezas e aventuras que ambos passaram juntos.

Um dos trechos mais significativos da Epopeia de Gilgamesh é o relato de um dilúvio. Gilgamesh depara-se, a certa altura da narrativa, com um homem que se diz imortal, cujo nome é Utnapshtim, e que conta ao herói suas memórias sobre o tempo em que ele recebeu ordens das divindades para construir um barco que serviria de abrigo a ele, sua família e animais que ele escolhesse, pois o mundo seria submerso em água.

Esse relato do dilúvio na Epopeia de Gilgamesh guarda evidentes semelhanças com a história de Noé relatada no Gênesis. Em outros pontos da narrativa, há também outras descrições semelhantes ao primeiro livro da Bíblia. Isso se dá, sobretudo, em razão da forte comunicação cultural que os povos sumérios (assim como os outros povos da Mesopotâmia, como os babilônios, os acádios e os assírios) tiveram com os hebreus, haja vista que o patriarca hebraico Abraão era oriundo, segundo o livro de Gênesis, da cidade de Ur, uma das cidades fundadas pelos sumérios.

Nesse sentido, o valor das narrativas literárias dos sumérios é inestimável para a humanidade, assim como as narrativas mitopoéticas e religiosas de tradições como a indiana, a chinesa, a persa e muitas outras.