História dos Vikings

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Restos de um navio viking em um museu de História dos Vikings na Dinamarca *
Restos de um navio viking em um museu de História dos Vikings na Dinamarca *

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Por Daniel Neves Silva

Os vikings foram um povo que habitava o norte da Europa (na Escandinávia), em um período conhecido como Era Viking, o qual abrangia do século VIII ao século XI. Essa época foi marcada pelas incursões dos vikings em diversas regiões do continente europeu, com diferentes propósitos: desde obtenção de terras para colonização e cultivo, passando pela realização de comércio, até saques e pilhagens.

Características dos vikings

A existência dos vikings resumiu-se a um período cronológico conhecido como Era Viking, que se iniciou em 793, com o ataque viking ao mosteiro de Lindisfarne. Esse evento principiou o período das navegações desse povo pela Europa. O término da Era Viking ocorreu em 1066, quando os normandos (vikings que haviam se estabelecido na Normandia) atacaram e conquistaram a Inglaterra sob a liderança de Guilherme, o conquistador.

Segundo o historiador Johnni Langer, o termo viking é originário do nórdico antigo “vikingr”, que era utilizado para referir-se a mercenários e piratas. Contudo, essa não era uma expressão utilizada pelos vikings para referir-se a si mesmos como povo, e seu uso em referência aos nórdicos desse período somente foi popularizado na Europa a partir do século XVIII|1|.

L'Anse aux Meadows, sítio arqueológico de uma aldeia viking construída no Canadá no século XII
L'Anse aux Meadows, sítio arqueológico de uma aldeia viking construída no Canadá no século XII

Os vikings habitavam, a princípio, as regiões que correspondem à atual Escandinávia: Noruega, Suécia e Dinamarca. No entanto, com o domínio das técnicas de navegação, os vikings espalharam-se por diversos locais, como no leste europeu (atual Rússia e Ucrânia), Normandia, Britânia (atual Inglaterra), Escócia, Islândia, Groenlândia e, por volta do ano 1000, alcançaram a América do Norte (atual Canadá).

Os historiadores especulam que a causa das expedições dos escandinavos fosse o crescimento populacional da região, o que teria gerado falta de alimentos e iniciado um processo de disputa e procura por melhores terras. Além disso, disputas pelo poder e o desejo de promover a expansão comercial foram levantados pelos historiadores como outros motivos que nos ajudam a entender essas expedições marítimas dos vikings.

Sociedade e religião

A sociedade viking era caracterizada por sua hierarquização, ou seja, sua divisão social em classes sociais muito bem definidas. Apesar das divisões existentes, todos os homens livres (e isso inclui ricos e pobres) tinham direitos de cidadãos e, portanto, podiam participar das tomadas de decisões nas assembleias (things).

O topo da hierarquia social dos vikings era ocupado pelo rei, chefe militar e religioso do território que controlava. A centralização do poder aconteceu ao longo da Era Viking na Escandinávia e contribuiu para o fortalecimento da posição dos reis. Seu poder era hereditário, mas essa hereditariedade não era necessariamente de pai para filho.

Nessa hierarquia, abaixo dos reis estavam os nobres, popularmente conhecidos como jarls. Eles eram possuidores de grande riqueza e vasta quantidade de propriedades e possuíam um poderio militar considerável. Em determinados locais da Escandinávia, o poder dos jarls era tão grande que rivalizava com o poder real.

Em uma posição abaixo dos nobres, estavam os “nórdicos livres”, que basicamente eram todo escandinavo que não fosse nobre nem escravo. Esse era o maior grupo da sociedade viking e era composto por camponeses, pescadores, comerciantes, artesãos etc. Por fim, os escravos eram a base da sociedade viking. Considerados propriedades dos cidadãos, os escravos poderiam ser criminosos condenados, pessoas endividadas ou estrangeiros.

A religião dos vikings não possui um termo específico que a nomeie, portanto, os historiadores utilizam a expressão paganismo nórdico. A religião dos nórdicos possuía elementos de xamanismo (prática religiosa que possui magia e transe como elementos) e era formada pela crença em diferentes deuses, isto é, era politeísta.

Dos principais deuses nos quais os nórdicos acreditavam, destacavam-se Odin e Thor. Odin era para os vikings o deus mais poderoso e sábio, considerado o criador de tudo e referido como o “Pai de Todos”. Thor era o deus trovão e o mais adorado de toda a Escandinávia. Os vikings acreditavam que parte de seus deuses morava em Asgard, um dos nove mundos existentes em sua crença.

Esses nove mundos, segundo essa crença, estavam interligados entre si a partir da Yggdrasil, o freixo da vida. A conexão de Midgard (terra do meio, mundo dos humanos) com Asgard (morada de parte dos deuses) acontecia pela Bifrost, a ponte arco-íris protegida pelo deus Heimdall.

Os nórdicos acreditavam ainda que o universo teria um final catastrófico conhecido como Ragnarök, no qual os deuses antigos morreriam e um universo surgiria em seguida. Essa concepção, no entanto, é questionada em relação à sua veracidade pelos historiadores, pois, afirma-se, seria baseada no cristianismo e, portanto, não possuía base real na religiosidade nórdica. Os vikings sofreram um intenso processo de cristianização a partir do século X.

|1| LANGER, Johnni. Deuses, monstros e heróis: ensaios de mitologia e religião viking. Brasília: EdUnb, 2009, p. 169.

*Créditos da imagem: RPBaiao e Shutterstock