Ku Klux Klan

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Ritual de iniciação realizado com novos membros da Ku Klux Klan, em meados da década de 1940.
Ritual de iniciação realizado com novos membros da Ku Klux Klan, em meados da década de 1940.

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Por Daniel Neves Silva

A Ku Klux Klan é uma organização terrorista que surgiu nos Estados Unidos, no século XIX, e ficou marcada por ser a maior organização do tipo na história desse país. É conhecida por utilizar uma roupa macabra e por promover atos de violência contra negros, judeus, católicos etc. No contexto em que foi criada, essa organização perseguia negros libertos e pessoas que apoiavam a concessão de maiores direitos aos negros no sul dos Estados Unidos. Chegou a contar com quatro milhões de membros em meados da década de 1920.

Resumo

A Ku Klux Klan é uma organização terrorista que surgiu nos Estados Unidos ainda no século XIX, logo depois da Guerra Civil Americana. Criada como uma diversão pelos seus organizadores, a Klan tornou-se um grupo que promoveu o terror no sul dos Estados Unidos. Perseguia, espancava e assassinava negros libertos e pessoas que defendiam os direitos civis para os afro-americanos.

Ficou muito conhecida por enforcar suas vítimas e promover incêndios criminosos em casas que eram habitadas por negros. Os membros da Klan utilizavam uma roupa macabra para espantar suas vítimas e também para esconder suas identidades. A partir da década de 1920, passaram a incendiar cruzes, o que ampliou o ar macabro da organização.

A atuação histórica da Ku Klux Klan é dividida em três grandes fases. A fase atual foi iniciada em meados da década de 1950 em resposta ao fortalecimento do movimento negro que lutava pelos direitos civis dessa comunidade nos Estados Unidos.

O que é a Ku Klux Klan?

A Ku Klux Klan surgiu nos Estados Unidos, mais precisamente no estado do Tennessee, após o fim da Guerra de Secessão (também conhecida como Guerra Civil Americana). Essa organização também é conhecida como “KKK” (em referência às letras iniciais de cada palavra) ou simplesmente de “Klan”.

A Klan surgiu em um período da história americana conhecido como Reconstrução e iniciado logo após o término da Guerra Civil Americana. Nesse período, o sul dos Estados Unidos reagiu às medidas defendidas pelos políticos do Norte de ampliar os direitos civis e políticos dos negros nos Estados Unidos.

Inicialmente, a KKK surgiu apenas como uma organização secreta que reunia cidadãos da comunidade local, mas pelo contexto dos acontecimentos e pelo preconceito contra os negros, a Klan tornou-se um grupo extremamente violento. Os cientistas políticos e historiadores caracterizam a Klan como uma organização da extrema-direita. Essa classificação é realizada com base na análise de sua ideologia, que atualmente inclui ideais como supremacismo branco, antissemitismo, xenofobia etc.

Fases de atuação da Ku Klux Klan

Ritual da Klan organizado no Tennessee, em meados da década de 1940, com um dos maiores símbolos da organização: a cruz em chamas.*
Ritual da Klan organizado no Tennessee, em meados da década de 1940, com um dos maiores símbolos da organização: a cruz em chamas.*

Ao longo do tempo, a Klan teve a sua história resumida em três fases. A primeira fase de atuação ocorreu no período entre 1866 e 1869. Alguns estudiosos do tema estendem essa fase até 1871, quando o governo americano decretou uma lei para combater a Ku Klux Klan. Nessa fase, a pequena organização surgida no Tennessee ganhou expressividade no sul dos Estados Unidos e só perdeu força com a repressão governamental.

A segunda fase da Klan iniciou-se a partir de 1915, quando foi lançado um filme chamado The Birth of a Nation (O Nascimento de uma Nação, em português). Esse filme apresentou uma imagem heroica da Klan e, por isso, é considerado o responsável pelo renascimento da organização. Essa fase da Klan estendeu-se até meados da década de 1940 e foi o período de maior força da Ku Klux Klan.

Nessa fase, a Klan chegou a contar com aproximadamente quatro milhões de membros espalhados por todo o território dos Estados Unidos. Ao longo da década de 1920, os membros da Klan começaram a fazer aparições públicas, ganharam influência na política em determinados locais e adicionaram a sua ideologia a xenofobia, o antissemitismo e o anticatolicismo.

A terceira fase da Klan foi iniciada em meados da década de 1950 e é considerada uma reação ao movimento surgido na comunidade afro-americana que lutava pelos direitos civis para essa comunidade nos Estados Unidos. Essa fase permanece em vigor até hoje, apesar de haver um visível enfraquecimento da organização.

Acesse também: Malcon X, um dos maiores nomes do ativismo negro nas décadas de 1950 e 1960

Fundadores, símbolos e contexto histórico

A fundação da Ku Klux Klan aconteceu oficialmente no começo de 1866 (alguns falam que pode ter ocorrido no final de 1865 também). A organização foi criada na cidade de Pulaski, localizada no estado do Tennessee, por seis ex-oficiais do Exército Confederado, portanto, foi criada por soldados que lutaram na Guerra Civil Americana.

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A princípio, a Klan era apenas uma organização formada por homens brancos de boa condição financeira da cidade de Pulaski. Eles se reuniam secretamente nas florestas da região e faziam rituais secretos durante a madrugada como forma de diversão. Por causa do contexto histórico em que o sul dos Estados Unidos estava, a organização radicalizou-se.

Os Estados Unidos tinham acabado de passar pela Guerra de Secessão, conflito interno em que sulistas (chamados de confederados) lutaram contra os nortistas (chamados de União). A guerra foi causada por um conflito que dividia a sociedade norte-americana na época: a questão da expansão do trabalho escravo para os novos territórios conquistados no oeste.

Esse impasse que dividia nortistas e sulistas ampliou-se quando Abraham Lincoln foi eleito presidente dos Estados Unidos. Pouco depois disso, os estados sulistas declararam secessão (separação) dos Estados Unidos e, em resposta a isso, os estados nortistas (da União) declararam guerra contra os confederados em 1861.

A guerra foi finalizada em 1865, quando as tropas confederadas renderam-se à União e foram reintegradas aos Estados Unidos. No final da guerra, o sul, além de derrotado, estava arrasado economicamente e enfrentaria profundas transformações por causa da abolição do trabalho escravo, decretado pelo presidente Abraham Lincoln.

O período logo após o fim da Guerra de Secessão tinha como desafios promover a integração política dos sulistas com a União, recuperar a economia do sul dos Estados Unidos e promover a integração econômica dos negros libertos. Nesse contexto começaram a ser debatidas questões que concederiam direito de voto aos negros, além de fornecer para essa população os direitos civis, que juridicamente os tornariam iguais aos americanos brancos. Era debatida também a possibilidade de negros libertos terem direito a possuir propriedade privada. Esse debate apavorava a sociedade sulista, marcada pelo preconceito racial contra os negros.

A resposta dos sulistas conservadores foi um pacote de leis aprovado em muitos estados sulistas, o chamado Black Codes. Essas leis restringiam as liberdades dos negros em muitos sentidos e, em questões trabalhistas, obrigavam-nos a viver em uma espécie de esquema de servidão. Essa medida gerou uma resposta do Congresso americano, que visava a realizar uma reconstrução radical para tornar mais rígidas as transformações na sociedade sulista e aumentar o controle dos políticos nortistas sobre o sul dos Estados Unidos. Foi nesse contexto de insatisfação dos sulistas com as mudanças em curso que surgiu a Ku Klux Klan.

Os fundadores da Klan eram todos de famílias com boas condições financeiras. Seus nomes eram: Frank McCord, John Kennedy, Richard Reed, Calvin Jones, John Lester e James Crowe. Eles fundaram a maior organização terrorista dos Estados Unidos, que foi responsável por milhares de assassinatos.

O nome da organização criada pelos ex-oficiais foi inspirado em uma palavra do idioma grego, kyklos, que significa círculo. Essa palavra foi adaptada para Ku Klux e adicionada à expressão Klan em referência a clan (significa clã, no inglês). A roupa usada era uma vestimenta longa de cor branca e um capuz cônico e tinha como função amedrontar e proteger a identidade dos membros da Klan. A cruz em chamas e a cruz no emblema da Klan só foram oficializadas como símbolos da organização na segunda fase.

Ku Klux Klan hoje

Supremacistas brancos em manifestação realizada em Chicago, em 1986. A cruz no escudo é o símbolo do emblema da Ku Klux Klan.**
Supremacistas brancos em manifestação realizada em Chicago, em 1986. A cruz no escudo é o símbolo do emblema da Ku Klux Klan.**

A Ku Klux Klan existe até hoje, embora sua expressão seja bem mais enfraquecida em relação ao que a organização já foi um dia. A Klan é acompanhada por instituições como o Southern Poverty Law Center, entidade que monitora a atuação de organizações extremistas em território americano. De acordo com essa entidade, a Klan possui hoje 72 células espalhadas pelos Estados Unidos – algumas com atuação estritamente local – e possui de 5 mil a 8 mil membros.

A Klan é uma organização bastante enfraquecida hoje por causa da atuação do governo americano em combate ao seu crescimento, mas também pelo surgimento de outras organizações extremistas de supremacistas brancos, que atraíram membros da Klan. Atualmente, a Klan possui em sua ideologia ideias supremacistas, anticatólicas, antissemitas, antiliberais e anticomunistas, promovendo discurso de ódio contra negros, muçulmanos e LGBTs. O movimento também tem forte relação com movimentos neonazistas.

*Créditos da imagem: Everett Historical e Shutterstock

**Créditos da imagem: Mark Reinstein e Shutterstock