Batalha das Ardenas

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Memorial em homenagem aos soldados que lutaram na defesa de Bastogne durante a Batalha das Ardenas
Memorial em homenagem aos soldados que lutaram na defesa de Bastogne durante a Batalha das Ardenas

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Por Daniel Neves Silva

A Batalha das Ardenas foi travada entre as forças da Alemanha Nazista e as forças aliadas que estavam estacionadas na região das Ardenas, na fronteira da França com a Bélgica e Alemanha. Essa batalha ficou particularmente conhecida por ter sido a última ofensiva organizada pela Alemanha em toda a Segunda Guerra Mundial.


Antecedentes

A Batalha das Ardenas foi travada durante os meses finais da Segunda Guerra na Europa, em dezembro de 1944 e janeiro de 1945. Nessa altura, a Alemanha era um país em colapso que enfrentava a avalanche soviética no fronte oriental e sofria com os ataques de americanos e britânicos no fronte ocidental.

Na Europa Ocidental, os alemães lutavam contra americanos e britânicos desde o desembarque de tropas que havia acontecido no Dia D. O fronte ocidental surgido do Dia D (conhecido também como Operação Overlord) tinha como objetivo criar um segundo fronte (os alemães lutavam na Europa Oriental) para aumentar o desgaste dos alemães no conflito.

As tropas americanas e britânicas estavam pouco a pouco reconquistando territórios ocupados pelos nazistas na França, porém, ao final de 1944, o desgaste das tropas fez com que a força dos Aliados diminuísse. Isso foi particularmente notabilizado pela dificuldade dos Aliados de conseguir novas conquistas para penetrar em território alemão.

A situação no fronte oriental era bem mais adversa para os alemães, pois os soviéticos eram superiores em praticamente tudo. A capacidade industrial da União Soviética era muito superior à de uma Alemanha falida pela guerra, e isso era percebido no campo de batalha pela grande disponibilidade de artilharia e blindados do Exército Vermelho. Além disso, a quantidade de soldados soviéticos era gigantesca, e as perdas eram supridas por novos reforços.


Estratégia dos alemães

De acordo com esse contexto mencionado, percebe-se que a Alemanha estava sufocada por estar sendo atacada em dois frontes distintos. Assim, era fundamental que a Alemanha pusesse fim ao fronte ocidental para poder priorizar suas forças no combate contra a União Soviética. Para que isso acontecesse, Hitler organizou um plano na região da Floresta das Ardenas, localizada na fronteira entre Alemanha, Luxemburgo, Bélgica e França.

A ofensiva dos alemães recebeu o nome de Névoa de Outono, no entanto, como estratégia distrativa para confundir a inteligência aliada, os alemães referiam-se à ofensiva como Vigilância do Reno. A ideia central de usar outro nome para a operação era fazer com que os aliados pensassem que se tratava de uma operação defensiva.

Hitler pensou a ofensiva nas Ardenas de maneira parecida com o plano da Batalha da França de 1940: atacar os Aliados por onde eles menos esperavam (Ardenas) com o objetivo de surpreender e separar as forças inimigas. A partir daí, as tropas alemães se encaminhariam para conquistar duas cidades belgas: Antuérpia e Bruxelas.

O grande objetivo dos nazistas era obter a vitória contra as forças aliadas para se colocar em uma posição favorável e que os permitisse forçar uma negociação com os Estados Unidos pelo fim do confronto entre ambos. Hitler acreditava que obter a vitória nas Ardenas fosse algo possível, porém, o otimismo de Hitler não era compartilhado por outros militares alemães.


Batalha das Ardenas

O ataque alemão nas Ardenas foi iniciado às 5h30 do dia 16 de dezembro de 1944. A ordem para o início do ataque foi dada pelo próprio Adolf Hitler em um de seus abrigos subterrâneos. A intenção de Hitler era de mobilizar 30 divisões, no entanto, só foi possível disponibilizar 20 divisões, além de outras cinco que foram posicionadas na reserva, o que totalizou 300 mil soldados alemães |1|.

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O ataque alemão iniciou-se a partir do 6º Exército Panzer da SS (divisão dos blindados), que atacou as tropas aliadas com 1.900 peças de artilharia, abrindo fogo simultaneamente e causando grande confusão entre os Aliados. O ataque alemão pegou as tropas americanas e britânicas de surpresa, sobretudo porque haviam ignorado os sinais do ataque alemão.

O ataque dos alemães sobre as Ardenas espalhou boatos e pânico por diferentes partes da França. Como os Aliados foram pegos desprevenidos, não se sabia ao certo a extensão das forças inimigas e, assim, espalharam-se boatos de que os alemães atacariam Paris novamente, e outro boato levou as autoridades francesas a autorizar a evacuação de Rennes, na região da Bretanha.

O elemento surpresa permitiu que os alemães tivessem certo sucesso inicial na ofensiva realizada nas Ardenas. Além disso, um inverno rígido havia atingido e espalhado uma densa névoa pela região, o que impedia a atuação dos aviões de guerra dos Aliados. O fato de os americanos não esperarem um ataque alemão fez com que suas tropas posicionadas nas Ardenas estivessem enfraquecidas – mesmo erro cometido pelos franceses em 1940.

A sorte dos alemães alterou-se depois que seu ataque perdeu força e quando o clima na região permitiu que os aviões dos Aliados pudessem lançar voo. A partir do dia 24 de dezembro de 1944, a atuação da aviação aliada foi fundamental, o que lhes garantiu o domínio do campo de batalha. O rígido inverno das Ardenas foi um capítulo à parte dessa batalha.

Os historiadores afirmam que as batalhas travadas nas Ardenas foram uma das piores experiências de batalha da Segunda Guerra Mundial. Primeiramente, as forças americanas não possuíam roupas adequadas para suportar o frio intenso que havia atingido a região. Além disso, os soldados não podiam acender fogueiras para se aquecer porque elas atraíam os ataques da artilharia alemã.

Os alemães também realizaram pesados bombardeios em meio aos bosques densos das Ardenas. Assim, acuados pelos bombardeios e atingidos pelo frio, restava aos soldados abrigar-se durante dias nas trincheiras construídas. A consequência disso foi que os casos de pé de trincheira (gangrena do tecido do pé pelo contato permanente com frio e água) dispararam entre as tropas aliadas.

Um dos locais nas Ardenas que mais sofreram com o ataque dos alemães foi a cidade belga de Bastogne. Essa cidade foi colocada como prioridade máxima pelos alemães, pois ela se encontrava em uma região estratégica das Ardenas. A cidade de Bastogne era cruzada por sete estradas que levavam a diferentes regiões. O cerco alemão sobre Bastogne foi rompido em 27 de dezembro de 1944.

Os alemães foram definitivamente derrotados nas Ardenas no dia 25 de janeiro de 1945. Existem divergências sobre a real dimensão do ataque alemão (se foi algo organizado ou se foi fruto do desespero). O importante é que o resultado obtido foi exatamente o contrário: derrotados nas Ardenas, a Alemanha enfraqueceu-se e perdeu recursos que poderiam ser utilizados no fronte oriental. Isso antecipou o fim dos alemães na guerra.

|1| Hitler não jogou mal sua última carta. Para acessar, clique aqui.