Guerra do Paraguai

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Francisco Solano López foi o ditador que conduziu o Paraguai à guerra.
Francisco Solano López foi o ditador que conduziu o Paraguai à guerra.

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Por Daniel Neves Silva

A Guerra do Paraguai foi um conflito que aconteceu de 1864 a 1870 e colocou Brasil, Uruguai e Argentina como aliados contra o Paraguai. A guerra foi causada pelos diferentes interesses que existiam entre as nações platinas na segunda metade do século XIX. Esses interesses convergiram de forma que Brasil, Argentina e Uruguai aliaram-se e lutaram contra o Paraguai em um conflito que deixou marcas profundas no Brasil e, principalmente, no Paraguai.

Antecedentes

A Guerra do Paraguai foi resultado do processo de formação das nações platinas (Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai) e dos diferentes interesses econômicos e políticos que cada nação possuía durante a segunda metade do século XIX. A relação entre as nações agravou-se durante a disputa de interesses que foi travada na Guerra Civil Uruguaia.

A Guerra do Paraguai foi um assunto que sempre causou fortes divergências entre os historiadores. No entanto, estudos realizados a partir da década de 1990 levaram ao surgimento de uma nova interpretação a respeito das causas do conflito. Esses novos estudos foram realizados a partir de documentação inédita e levaram ao surgimento do que os historiadores chamam de uma nova historiografia do conflito.

As causas da Guerra do Paraguai concentram-se, principalmente, na década de 1860, quando os diferentes interesses defendidos pelo governo paraguaio e brasileiro levaram a desentendimentos que fizeram o Paraguai atacar o Brasil. Esses desentendimentos intensificaram-se a partir da posse de Francisco Solano López como ditador do Paraguai em 1862.

A posse de Solano López fez com que o governo paraguaio se aproximasse de um grupo rebelde argentino conhecido como federalistas. Esse grupo era liderado por Urquiza e concentrava-se nas províncias de Entre Rios e Corrientes. A aproximação do Paraguai com os federalistas possibilitou uma aliança do governo paraguaio com o governo uruguaio, representado pelo partido blanco.

A aproximação paraguaia com os blancos abriu uma possibilidade importante para o Paraguai de utilizar o porto de Montevidéu como saída para o mar, uma vez que não havia possibilidade de os paraguaios utilizarem o porto de Buenos Aires. A aproximação paraguaia com os federalistas desagradou o governo argentino, representado pelo presidente Bartolomé Mitre, e a aproximação paraguaia com os blancos desagradou tanto Argentina como o Brasil.

A tensão entre os governos brasileiro e paraguaio já existia em virtude das negociações a respeito dos direitos de navegação no Rio Paraguai. O governo brasileiro exigia a livre navegação nos rios da Bacia Platina que cortavam o Paraguai, pois era o único meio viável de se alcançar Cuiabá. Além disso, havia uma disputa de território entre os dois países (a disputa era por um pedaço de terra que hoje corresponde ao Mato Grosso do Sul).

A relação entre Brasil e Paraguai azedou de vez quando o Brasil interveio na guerra travada no Uruguai em 1864. O Uruguai, conforme mencionado, era governado pelos blancos – partido político aliado do governo paraguaio. No entanto, a política econômica praticada pelo governo blanco prejudicava os interesses econômicos dos estancieiros gaúchos que atuavam no Uruguai.

Os estancieiros gaúchos passaram a pressionar o governo brasileiro para que se posicionasse em defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no Uruguai. O governo brasileiro passou a apoiar Venancio Flores, líder do partido colorado, adversário político que travava um conflito contra os blancos desde 1863. Além disso, o governo brasileiro indicou que interviria diretamente no conflito a favor dos colorados.

A possibilidade de uma invasão brasileira no Uruguai em favor dos colorados desagradou profundamente o governo paraguaio, que ameaçou atacar o Brasil caso o país interviesse no conflito uruguaio. Essa postura firme do governo paraguaio fazia parte de uma estratégia praticada por Solano López de impor o Paraguai como potência alternativa para rivalizar com Brasil e Argentina.

O governo brasileiro ignorou o ultimato paraguaio e, em setembro de 1864, conduziu a invasão do Uruguai. A ação brasileira contribuiu para destituir o governo blanco e colocar o líder colorado, Venancio Flores, como presidente uruguaio. A ação brasileira irritou o governo paraguaio e, em dezembro do mesmo ano, uma embarcação brasileira foi aprisionada por forças paraguaias e a província do Mato Grosso foi invadida pelas tropas lideradas por Solano López.

Principais acontecimentos

Depois de invadir a província do Mato Grosso, o exército paraguaio rumou na direção da província do Rio Grande do Sul para, em seguida, apoiar os blancos na Guerra Civil Uruguaia. No entanto, o trajeto do exército paraguaio passava pela província argentina de Corrientes. Como a passagem dos paraguaios foi negada pelo governo argentino, por ordem de Solano López, 22 mil soldados paraguaios invadiram a Argentina|1|.

A invasão da Argentina pelas tropas paraguaias aproximou os governos brasileiro e argentino, o que levou à assinatura do Tratado da Tríplice Aliança, no qual Brasil, Argentina e Uruguai (aqui representado pelos colorados) uniram forças para lutar contra Solano López, presidente e ditador paraguaio. O tratado foi oficialmente assinado em 1º de maio de 1865.

Os dois exércitos enviados por Solano López na direção do Rio Grande do Sul foram derrotados e retornaram ao Paraguai em outubro e novembro de 1865. A partir desse momento, a guerra enfrentada pelo exército paraguaio foi para defender seus territórios dos invasores da Tríplice Aliança.

O primeiro grande destaque das lutas travadas na Guerra do Paraguai foi a Batalha Naval de Riachuelo, que ocorreu em junho de 1865. Na batalha de Riachuelo, a Marinha brasileira destruiu quase a totalidade da Marinha paraguaia e, com isso, pôde controlar a navegação dos rios da Bacia Platina, impondo um bloqueio que isolou o Paraguai.

Outra batalha de destaque foi a Batalha de Curupaiti, na qual as tropas da Tríplice Aliança sofreram uma pesada derrota, que custou, pelo menos, a vida de quatro mil soldados. Os fatos que definiram os rumos da guerra ocorreram a partir de 1868, quando a principal fortaleza do país – Humaitá – foi tomada pelas tropas brasileiras. Pouco tempo depois, em janeiro de 1869, a capital paraguaia – Assunção – foi invadida e saqueada.

A Guerra do Paraguai encerrou-se definitivamente quando o ditador paraguaio Francisco Solano López foi morto por soldados brasileiros na Batalha de Cerro Corá, que foi travada em março de 1870. A guerra deixou um grande rastro de destruição no Paraguai e contribuiu para o endividamento do governo brasileiro, além de ter marcado o início da decadência da monarquia do Brasil.