Invasão da Polônia e o início da Segunda Guerra Mundial

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Hitler sendo recepcionado pela população de Danzig em festa, em 19 de setembro de 1939 *
Hitler sendo recepcionado pela população de Danzig em festa, em 19 de setembro de 1939 *

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Por Daniel Neves Silva

A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da história da humanidade e, ao longo de seis anos, resultou em uma quantidade de mortos aproximada de 60 milhões de pessoas (algumas estimativas afirmam que esse número pode ter alcançado 80 milhões). Esse conflito ficou caracterizado pela sua condição de guerra total, na qual as nações envolvidas mobilizaram todos os seus recursos para manter sua participação nela. O estopim que deu início à Segunda Guerra Mundial foi a invasão da Polônia em 1º de setembro de 1939.

Antecedentes

A Segunda Guerra Mundial teve como principal razão o expansionismo germânico, colocado em prática por Adolf Hitler na construção do chamado “espaço vital” da Alemanha (lebensraum). Essa ideia consistia na construção de um território dedicado ao desenvolvimento do povo alemão às custas do domínio e do extermínio de outros povos, como os eslavos.

A construção desse espaço vital levou a Alemanha a reformular totalmente o seu exército – inclusive, contrariando as determinações do Tratado de Versalhes – e a iniciar a anexação de países vizinhos como a Áustria e a Tchecoslováquia. Como Inglaterra e França haviam sido coniventes com esse expansionismo germânico, Hitler voltou sua atenção para a Polônia.

O objetivo de Hitler na Polônia era reaver territórios que pertenciam à Alemanha até a Primeira Guerra Mundial, sobretudo visando recuperar o corredor polonês, o qual basicamente era uma faixa do território polonês que separava a Alemanha da Prússia Oriental e onde se localizava a cidade de Danzig.

Os discursos inflamados de Hitler contra a Polônia levaram o governo polonês a buscar mecanismos para proteger-se, uma vez que, sozinho, o país não seria páreo para o poderio militar alemão. Assim, os poloneses partiram em busca de aliança com os britânicos e franceses para, caso fossem atacados pelos alemães, serem protegidos por seus aliados. Apesar do acordo, a aliança com a Polônia foi um grande blefe de britânicos e franceses, pois tinha mais o objetivo de deter Hitler do que oferecer apoio militar aos poloneses.

O último passo antes do início do conflito foi a assinatura de um tratado entre alemães e soviéticos, conhecido como Pacto Germano-Soviético. Esse acordo estipulava um período de dez anos de paz entre as duas nações e garantia uma série de acordos comerciais importantes para a Alemanha. Além disso, esse pacto estipulou, secretamente, que Alemanha e União Soviética invadiriam e dividiriam entre si o território polonês.

Esse acordo secreto entre as duas nações aconteceu porque nenhuma delas aceitava a existência da Polônia, e, conforme afirma Max Hastings, “aos olhos de Berlim e Moscou, o estado polonês devia sua existência apenas à força maior dos Aliados em 1919 e não tinha legitimidade”|1|. Nas semanas finais de agosto, a crescente hostilidade dos alemães evidenciou sua intenção de guerra contra a Polônia.

Invasão da Polônia

A invasão da Polônia aconteceu oficialmente na madrugada de 1º de setembro de 1939, com os alemães mobilizando 1,5 milhão de soldados, apoiados por 3.600 blindados e 1.929 aviões de guerra|2|. Além de penetrarem no território polonês, os alemães atacaram a cidade portuária de Danzig com o encouraçado Schleswig-Holstein.

O ataque alemão foi justificado por Hitler como uma resposta a uma suposta agressão polonesa contra uma rádio alemã localizada em uma cidade fronteiriça. Esse suposto ataque polonês foi, na verdade, uma operação bandeira falsa, ou seja, uma operação forjada pelos alemães para servir de pretexto a uma agressão contra a Polônia. Os supostos soldados poloneses que atacaram a rádio alemã em Gleiwitz eram, na realidade, prisioneiros dopados de um campo de concentração alemão.

O ataque alemão fez com que Inglaterra e França declarassem guerra contra a Alemanha no dia 3 de setembro. Britânicos e franceses foram extremamente vacilantes em dar um ultimato a Hitler, mas discussões internas fizeram com que a guerra fosse declarada. Essa declaração de guerra surpreendeu Hitler, que havia sido convencido pelas garantias de Ribbentrop, ministro das relações internacionais, de que a Inglaterra recuaria e não declararia guerra.

A invasão alemã pegou os poloneses com exército parcialmente desmobilizado, pois a Polônia havia sido orientada pela França e Inglaterra a não mobilizar suas forças para que Hitler não se utilizasse disso como pretexto para um ataque. Essa escolha acabou sendo prejudicial para os poloneses, uma vez que, no dia da invasão, apenas um terço do exército estava mobilizado e posicionado nas defesas|3|.

Os Aliados (nesse momento, Reino Unido e França) esperavam que a resistência polonesa suportasse o ataque alemão durante alguns meses, no entanto, em questão de semanas a Polônia desmoronou. O sucesso dos alemães contra os poloneses foi explicado, em parte, pelo uso da blitzkrieg, tática da guerra-relâmpago, que era inovadora na época. Além disso, os militares poloneses adotaram uma estratégia de defesa equivocada, o que facilitou a vitória alemã.

Enquanto lutavam contra os alemães, o país foi invadido no dia 17 de setembro pela União Soviética. Como os poloneses não esperavam um ataque soviético, as fronteiras no leste da Polônia estavam totalmente desprotegidas. Isso porque, de acordo com Antony Beevor, “a ideia de uma invasão dupla coordenada entre os governos nazista e soviético parecia um paradoxo demasiado absurdo”|4|.

A derrota polonesa oficializou-se no dia 28 de setembro, quando a capital, Varsóvia, rendeu-se para os alemães nazistas. Durante esse ataque alemão, britânicos e franceses não cumpriram sua promessa, e o apoio prometido aos poloneses nunca foi enviado. A Polônia, portanto, lutou sozinha contra alemães e soviéticos (contra este último, a partir do dia 17). Com essa vitória da Alemanha, iniciou-se um período conhecido como “guerra de mentira”, no qual houve pouco enfrentamento e que somente foi finalizado com o início da invasão da Noruega em abril de 1940.

|1| HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, p. 16.
|2| Idem, p.18.
|3| BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 36.
|4| Idem, p. 36.

*Créditos da imagem: Everett Historical e Shutterstock