Pol Pot, o tirano cambojano

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Museu que relembra as vítimas do genocídio cambojano promovido durante o governo de Pol Pot *
Museu que relembra as vítimas do genocídio cambojano promovido durante o governo de Pol Pot *

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Por Daniel Neves Silva

Pol Pot foi líder do Partido Comunista do Camboja, o Khmer Vermelho. Além disso, ele controlou esse país durante um período de quase quatro anos no qual impôs um domínio ditatorial que resultou na morte de 1,5 milhão de pessoas, a maioria em decorrência da fome. A política ditatorial de Pol Pot ficou conhecida como genocídio cambojano.

Juventude de Pol Pot

Pol Pot nasceu sob o nome de Saloth Sar em uma vila de pescadores chamada Prek Sbauk, na Indochina Francesa (região onde hoje fica o atual Camboja), no dia 19 de maio de 1925. Sua família dispunha de uma condição de vida muito boa em relação à grande maioria dos cambojanos. Isso se devia, em grande parte, ao fato de sua família ter uma conexão com a família real cambojana. Além disso, seus pais possuíam uma grande fazenda produtora de arroz.

Pol Pot tinha dois irmãos que residiam na capital do Camboja, Phnom Penh, e sob a influência de ambos, mudou-se para essa cidade com a intenção de estudar em 1934. Inicialmente, ele estudou em um monastério budista e, depois, em uma instituição católica instalada pelos franceses. Por causa de suas conexões com a família real, Pol Pot conseguiu uma bolsa para estudar radioeletrônica em Paris.

Na capital francesa, Pol Pot teve contato por meio de amigos com grupos de estudos de marxismo e passou a frequentar principalmente o Cercle Marxiste (grupo clandestino de comunistas cambojanos na França). Pol Pot, no entanto, não finalizou seus estudos em Paris, pois foi obrigado a voltar a seu país após reprovar nos exames de seu curso e perder a bolsa de estudos.

Ao retornar ao Camboja em 1953, Pol Pot ingressou ao Khmer Viet Minh, um grupo revolucionário comunista que era liderado por vietnamitas e que defendia o fim da colonização francesa na Indochina.

Pol Pot ingressa no Khmer Vermelho

Logo após o Khmer Viet Minh ser desarticulado, Pol Pot ingressou no Partido Revolucionário do Povo da Kampuchea (futuramente conhecido como Khmer Vermelho), também de orientação comunista, e passou a trabalhar na capital cambojana, Phnom Penh, como professor de história e literatura francesa.

A partir de 1960, Pol Pot assumiu a liderança do partido em razão da perseguição empreendida contra as lideranças anteriores por parte de Norodom Sihanouk, primeiro-ministro do Camboja. Anos depois, em 1966, Pol Pot mudou o nome do partido para Partido Comunista de Kampuchea. O termo Kampuchea era outro nome utilizado para referir-se ao Camboja.

Após assumir a liderança do Khmer Vermelho, Pol Pot passou a esconder-se no interior do Camboja por causa da perseguição governamental. No interior do país, ele passou a organizar uma guerrilha para promover a derrubada do governo. Além disso, Pol Pot buscou o apoio de Vietnã e China para organizar uma rebelião contra o governo instalado no Camboja.

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Sem contar com a ajuda de Vietnã e China, Pol Pot iniciou a luta contra Norodom Sihanouk em 1968. Em 1970, um golpe militar organizado por Lon Nol derrubou Sihanouk do poder, aproveitando-se de sua viagem pela China. Com o golpe, Sihanouk permaneceu em exílio na China e passou a apoiar o Khmer Vermelho contra Lon Nol. Contando com esse apoio, o poder do Khmer Vermelho cresceu e uma guerra civil instalou-se no país.

Khmer Vermelho no poder e genocídio cambojano

Após anos de luta, o Khmer Vermelho conseguiu conquistar a capital Phnom Penh, em 17 de abril de 1975. Com a capital conquistada, Pol Pot assumiu o poder e aplicou um projeto de governo tirânico durante anos no Camboja.

O governo de Pol Pot obrigou toda a população de Phnom Penh a abandonar a cidade (promoveu também o esvaziamento de outras cidades do Camboja). Essa população foi obrigada a mudar-se para fazendas coletivas. Além disso, Pol Pot iniciou um intenso processo de perseguição a todos aqueles que se opusessem ou não se adequassem às novas determinações do governo. Minorias étnicas também foram intensamente perseguidas durante esse período.

Nas fazendas coletivas construídas pelo governo de Pol Pot, milhares de pessoas foram submetidas a jornadas exaustivas de trabalho, muitas delas morreram de fome, enquanto outras morreram de exaustão por causa do intenso trabalho ou em decorrência de torturas realizadas por agentes do governo. Ao todo, em quatro anos de poder, o governo de Pol Pot foi responsável por, ao menos, 1,5 milhão de mortes em todo o Camboja.

Derrubada e morte de Pol Pot

O governo de Pol Pot durou apenas quatro anos, pois, em 1979, o país foi invadido pelo exército vietnamita. A invasão vietnamita aconteceu após o líder cambojano promover o assassinato de muitos cidadãos vietnamitas na fronteira do Camboja com o Vietnã. Após essa invasão, Pol Pot fugiu e abrigou-se em uma região remota próxima da Tailândia.

Durante anos, Pol Pot liderou uma resistência dessa região e acabou optando por abandonar a liderança do Khmer Vermelho em 1985. Ele viveu isolado na floresta cambojana junto da guerrilha comunista até os últimos dias de sua vida. Pol Pot morreu em 15 de abril de 1998, após supostamente sofrer um ataque cardíaco.

*Créditos da imagem: Wdeon e Shutterstock